Autor destaca «apelos originais» que continuam a desafiar a Igreja   

Aveiro, 11 dez 2018 (Ecclesia) – O padre Georgino Rocha apresenta hoje o seu novo livro, ‘Aprender com o povo a alegria sã do Evangelho’, no âmbito das comemorações dos 80 anos da restauração da Diocese de Aveiro.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o sacerdote destaca um projeto que recorda a génese da Igreja Católica local, que “tem na sua matriz a evangelização da religiosidade popular dos aveirenses, o levar um rosto humano ao progresso e a preparação de sacerdotes para a missão que os novos desafios representam”.

Aquele responsável frisa que muito do que foi a construção eclesial na região teve como “fio condutor” ir ao encontro da forma como as comunidades viviam a sua fé, nas suas expressões mais populares.

“Nós nascemos para a festa, para a alegria, para a esperança, e depois isto tem de ser evangelizado, é preciso descobrir a humanidade dessa expressão e abrir-lhe um novo horizonte”, salientou o padre Georgino Rocha.

A obra ‘Aprender com o povo a alegria sã do Evangelho’ é apresentada esta terça-feira à noite, pelas 21h30, no Centro Universitário Fé e Cultura, com a participação de Ana Isabel Miranda, presidente da Comissão Diocesana de Justiça e Paz, e Luís Silva, presidente da Comissão Diocesana da Cultura.

Para o padre Georgino Rocha, que é assistente daqueles dois organismos, mas também já foi pró-Vigário Geral da Diocese de Aveiro, entre outros cargos, hoje a realidade é bem diferente de há 80 anos atrás, no que toca à vivência da fé das pessoas.

“Hoje temos uma sociedade líquida, desestruturada, que anda à procura de si mesma, que precisa de referências éticas, humanistas, e depois referências de segurança na esperança que se vive à luz da liberdade. E é precisamente aqui que a Igreja hoje se situa e se sente desafiada”, apontou o autor.

O prefácio da obra tem a assinatura de D. José Alves, arcebispo emérito de Évora, enquanto o posfácio é da responsabilidade de D. António Moiteiro, o atual bispo de Aveiro.

“D. António Moiteiro chama precisamente a atenção para a permanência dos apelos originais. Para que os cristãos, renovando a autenticidade da sua fé, e a alegria da sua cidadania, possam estar nos lugares da sua vida de trabalho e de lazer, dando este testemunho de criaturas, de homens e mulheres, de cidadãos responsáveis”, sustentou o padre Georgino Rocha.

Um dos capítulos do livro, com o tema ‘Evangelização: A voz dos pastores’, dá destaque à figura de D. António Francisco dos Santos, já falecido, que liderou os destinos da Diocese de Aveiro entre 2006 e 2014.

Foi sob a coordenação de D. António Francisco dos Santos que foi implementada a ‘Missão Jubilar’, uma iniciativa que decorreu entre 2012 e 2013 no âmbito da celebração dos 75 anos da restauração da diocese aveirense.

Com a Missão Jubilar, a Igreja Católica local quis envolver e aproximar todas as comunidades e dar-lhes um novo dinamismo, um impulso pastoral renovado.

“Desencadearam-se aí dinamismos que deixaram de algum modo de ser prosseguidos, porque a mudança de bispo e de responsáveis diocesanos não facilitou a continuidade do acompanhamento desses dinamismos. Agora estamos a reiniciar outros, com igual propósito, para testemunhar a alegria do Evangelho no mundo de hoje”, frisou o padre Georgino Rocha.

A apresentação do livro ‘Aprender com o povo a alegria sã do Evangelho’ vai estar a cargo de Querubim Pereira da Silva, diretor do jornal “Correio do Vouga”, da Diocese de Aveiro, e pároco de Angeja.

Antes da sessão de lançamento da obra, D. António Moiteiro celebra pelas 19h00 uma Eucaristia de Ação de Graças pelos 80 anos da restauração da Diocese de Aveiro.

A Diocese de Aveiro foi criada pelo Papa Clemente XIV, mediante o breve ‘Militantis Ecclesiae gubernacula’, de 12-04-1774, a pedido do monarca D. José I, abrangendo uma área destacada do território da Diocese de Coimbra.

Em abril de 1845, o arcebispo de Braga foi constituído no cargo de administrador apostólico da Diocese, para a qual nomeou sucessivamente vigários gerais ou governadores – o que aconteceu até à sua extinção, pelo Papa Leão XIII, em 1882.

O Papa Pio IX viria a restaurar a Diocese de Aveiro, dando-lhe novos limites, com 82 freguesias de dez concelhos, desmembrados das Dioceses de Coimbra (Águeda, Anadia, Aveiro, Ílhavo, Oliveira do Bairro e Vagos), do Porto (Albergaria-a-Velha, Estarreja e Murtosa) e de Viseu (Sever do Vouga); a sentença executória da restauração deu-se a 11 de dezembro de 1938.

JCP

Aveiro: Diocese assinala 80 anos de restauração

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