Trabalho que envolveu cerca de 5 mil pessoas apontou desafios para uma Igreja mais acolhedora e participativa

 

Aveiro, 16 mai 2022 (Ecclesia) – A Diocese de Aveiro promoveu este domingo a sua assembleia pré-sinodal, com apresentação das conclusões arciprestais (conjuntos de paróquias), nas quais se aponta a necessidade de uma Igreja “despojada, acolhedora, próxima, inclusiva”.

O encontro decorreu no Seminário de Santa Joana Princesa, em Aveiro, onde o bispo local, D. António Moiteiro, afirmou que “este trabalho não pode parar”.

A primeira fase do processo sinodal lançado pelo Papa, em outubro de 2021, chega ao fim este mês, com as várias dioceses portuguesas a ultimar uma síntese do trabalho realizado a nível local, que vão entregar à Conferência Episcopal.

O bispo de Aveiro elogiou uma “caminhada de todos”, que envolveu cerca de 300 grupos e 5 mil pessoas.

“O Papa pede que este caminho sinodal seja um processo que continue nas paróquias, nas comunidades”, apontou D. António Moiteiro.

O responsável partilhou algumas das ideias centrais que foram referidas pelas várias propostas: formação, proximidade e acolhimento, escuta, a atenção aos jovens ou a falta de vocações.

“Temos de ter uma atitude de acolhimento, essa é a fundamental”, declarou.

O bispo diocesano desafiou as comunidades a valorizar a “dimensão missionária” na vida dos sacerdotes, com outra forma de organização da vida paroquial.

O encontro contou com a presença de delegados paroquiais, padres, diáconos e representantes das comunidades religiosas.

“Como bispo, estou muito contente. Temos de ter esperança”, assinalou D. António Moiteiro.

Foto: Diocese de Aveiro
(Imagem de Arquivo)

O coordenador da Pastoral Diocesana, padre Licínio Cardoso, que é também o responsável pela equipa que coordenou o processo sinodal, apresentou uma síntese sobre as propostas e reflexões recebidas, alertando para uma Igreja “entrincheirada”, que aparece como uma “entidade externa” aos próprios leigos e leigas católicos.

“A ação litúrgica da Igreja prevalece sobre a ação social”, acrescentou, pedindo atenção aos “marginalizados pela diferença”.

Nas propostas apresentadas pelos responsáveis dos Arciprestados foi sublinhada, entre outras ideias, a necessidade de escutar “sem julgamentos as questões de mais difícil abordagem” e de superar a “clericalização” da Igreja.

“As pessoas sentem-se excluídas dos processos de decisão e da comunicação”, indicou uma das partilhas.

As reflexões sublinharam ainda que a Igreja Católica se mantém como uma referência “pela positiva” na sociedade e está empenhada em corrigir erros do passado.

OC

Na celebração da festa de Santa Joana Princesa, padroeira da cidade e Diocese de Aveiro, a 12 de maio, D. António Moiteiro evocou o processo sinodal lançado pelo Papa.

“O desejo de ‘caminhar juntos’, e de juntos nos colocarmos à escuta do Espírito Santo, nas atuais interpelações dos sinais dos tempos, tornou-se nos nossos dias uma convocação a redescobrir o seguimento de Jesus Cristo através do discipulado missionário”, disse, na homilia da celebração.

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