Responsável portuguesa lamenta perda da capacidade de diálogo na esfera política e diplomática

Lisboa, 27 out 2026 (Ecclesia) – A responsável da Comunidade de Santo Egídio em Santarém e no Seixal alertou para o perigo da perda do diálogo no plano político internacional, evocando as lições dos 40 anos do encontro inter-religioso de Assis.
“A guerra não é uma fatalidade”, declarou Maria José Lopes, em entrevista ao Programa ECCLESIA, criticando a narrativa atual de que a única alternativa passa pelos conflitos armados e a polarização, resumida na fórmula “estás comigo ou estás contra mim”.
A entrevistada apontou “a incapacidade de os líderes de se sentarem à mesa e dialogarem” como a causa direta da multiplicação de frentes de combate à escala global, sustentando que “o diálogo está a perder-se” na esfera política e diplomática.
Para contrariar o extremismo nas relações humanas e internacionais, a entrevistada defendeu que “há uma cultura de paz que nasce do diálogo, nasce no respeito do outro, do ouvir o outro, do aceitar o outro, ver outras visões sem ser a minha”.
As declarações assinalam o encerramento do encontro internacional ‘Paz Desarmada e Desarmante’, promovido em Assis pela Comunidade de Santo Egídio, para celebrar o 40.º aniversário da histórica jornada convocada por São João Paulo II, que a 27 de outubro de 1986 reuniu de forma inédita, na cidade italiana ligada à vida de São Francisco, representantes das grandes religiões mundiais.
Maria José Lopes classificou a iniciativa do Papa polaco como um acontecimento “profético” que iniciou um percurso anual por diversas cidades europeias, o qual passou por Lisboa no ano 2000.
Assumindo o apelo de São João Paulo II para que a pacificação envolva todos os cidadãos e com base na certeza de que os conflitos geram as maiores situações de pobreza no mundo, a comunidade católica de Santo Egício mediou processos concretos de reconciliação, começando pelos acordos de Moçambique e incluindo a aproximação entre cristãos e muçulmanos na República Centro-Africana.
Alicerçada nos pilares da oração, da amizade com os mais carenciados e da promoção da concórdia, a Comunidade de Santo Egídio realiza encontros semanais de oração na Capela do Rato, em Lisboa, e acompanha idosos e crianças de bairros periféricos em Santarém e no Seixal.
Maria José Lopes explicou que o apoio ao estudo e as atividades lúdicas nas periferias procuram implementar uma cultura de aceitação mútua desde a infância, ajudando os mais novos “a terem outros horizontes na vida” para lá dos limites dos próprios bairros.
HM/OC
