Priscos: Construção do Presépio ao Vivo «devolve futuro» aos reclusos, há 11 anos

Padre João Torres afirma que «projeto pioneiro» prova que «confiança e trabalho reduzem a reincidência»

Foto: Hugo Delgado/Agência WAPA

Braga, 27 out 2026 (Ecclesia) – O mentor do ‘Mais Natal Priscos’, na Arquidiocese de Braga, destaca que os reclusos trabalham na construção e manutenção deste projeto há 11 anos, “em regime aberto, com horário, salário e acompanhamento”, e “nunca houve um único incidente”.

“O resultado deste projeto é difícil de contestar: as pessoas que cumprem pena e recebem confiança, trabalho e acompanhamento respondem com responsabilidade. O Presépio ao Vivo existe há vinte anos e, há onze, abriu a sua construção a quem cumpre pena, num modelo que alia a fé, a cultura e a solidariedade a uma missão de justiça restaurativa e de humanização do sistema prisional”, explica o padre João Torres, mentor do ‘Mais Natal Priscos’ e coordenador da assistência aos Estabelecimentos Prisionais de Braga e Guimarães, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

A Paróquia de São Tiago de Priscos, na Arquidiocese de Braga, recebe reclusos que saem de um estabelecimento prisional para trabalhar no ‘Presépio ao Vivo’, desde 2015, e “devolve futuro a quem cumpre pena” há 11 anos, já recebeu mais de 80 reclusos, “e a Brigada de Priscos nunca registou qualquer incidente”.

O projeto ‘Presépio ao Vivo de Priscos’ nasceu de um acordo entre a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e a Paróquia de São Tiago de Priscos, o Município de Braga assegura o transporte dos reclusos, através dos Transportes Urbanos de Braga, e cada uma das partes “assume o seu papel, e é essa articulação que permite que pessoas privadas de liberdade trabalhem, aprendam e recomecem ainda durante o cumprimento da pena”.

“Uma pessoa que cumpre pena e que, no dia da liberdade, tem pouco além de uma folha de registo criminal enfrenta um caminho muito difícil. Em Priscos, o caminho começa antes: o recluso chega com um horário, uma tarefa, um chefe de equipa e a responsabilidade de pertencer a um grupo que depende do trabalho de todos”, acrescenta o padre João Torres, pároco de São Tiago de Priscos.

Foto: Hugo Delgado/Agência WAPA

Os reclusos desempenham funções nas áreas da carpintaria, jardinagem, serralharia, manutenção e construção do ‘Presépio ao Vivo de Priscos’, em regime aberto, com horário regular, remuneração e “acompanhamento técnico e pastoral”, cada um aprende um ofício, e “hábitos que valem em qualquer emprego”, como a pontualidade, a disciplina, o cuidado com as ferramentas, o respeito pelos colegas, o sentido de responsabilidade.

O mentor do Projeto ‘Mais Natal Priscos’ assinala que esta também é “uma iniciativa pastoral e uma política de segurança pública que dá resultados”, a reinserção social é um dos “instrumentos mais eficazes para prevenir a reincidência criminal”, e este presépio ao vivo “é uma referência de reinserção”, e um “exemplo concreto” que funciona “quando há vontade, acompanhamento e compromisso”.

“A Paróquia de São Tiago de Priscos defende que o Estado deve reforçar os incentivos às empresas, autarquias e instituições que acolhem e formam reclusos. Sem esse investimento, o país arrisca-se a ver crescer o número de reincidentes, muitos deles com percursos criminais cada vez mais graves. A experiência de Priscos mostra que existe alternativa, e que essa alternativa é mais humana e também mais eficaz do que a exclusão”, desenvolve o sacerdote bracarense.

A Paróquia de São Tiago de Priscos, acrescenta o padre João Torres, “investiu milhares de euros” em salários, seguros, alimentação e equipamento de proteção individual, para “garantir condições dignas e seguras a todos os participantes”, enquanto a comunidade local “acolheu os reclusos com respeito e espírito de solidariedade”.

Os reclusos que participam neste projeto também recebem “formação humanista”, pelo antigo jornalista Mário Robalo, que, ao longo das sessões, ajuda-os “a olhar para a sua própria história, a pensar o que fizeram, quem são e quem querem ser quando saírem”.

Foto: Presépio Vivo de Priscos (facebook)

O ‘Presépio ao Vivo de Priscos’ não é “apenas uma representação de Natal”, mas um projeto de “transformação humana”, as entradas são solidárias, e cada donativo apoia a continuidade deste programa; a edição 2026/2027 do ‘maior presépio ao vivo da Europa’ vai realizar-se entre 13 de dezembro e 10 de janeiro de 2027.

CB/OC

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