Diana Maria D’Orey realizou trabalho de mestrado sobre a publicação fundada em 1930 e deixa propostas para cativar a leitura dos jovens 

Lisboa, 18 out 2019 (Ecclesia) – Diana Maria D’Orey, estudante de Design, tomou como objeto de estudo da dissertação de mestrado a revista “Cruzada”, revista mensal do Apostolado da Oração, e defende o “enorme potencial” da publicação. 

“Percebo a necessidade de avançar para a edição digital por todos os aspectos, principalmente económicos, mas acho que oferece potencial enorme pelo seu formato em papel, por ser revista de bolso, que pode ser uma mais valia para os jovens a levarem para qualquer lado”, disse em declarações à Agência ECCLESIA.

A estudante está a terminar a dissertação de mestrado em Práticas Tipográficas e Editoriais Contemporâneas e tomou conhecimento da revista Mensageiro e Brotéria, na academia de Verão, atividade dos centros universitários jesuítas, mas foi a Cruzada que lhe chamou a atenção por lhe parecer um “bom objeto de estudo”.  

“O Mensageiro e a Brotéria achei que eram revistas já suficientemente trabalhadas e até que cheguei à Cruzada e considerei um bom objeto de estudo porque o tipo de letra com que a revista se escreve chamou-me a atenção, a revista usa um tipo de letra que não é coerente com o conteúdo que se quer transmitir”, aponta.

A jovem de 25 anos analisou várias edições desta revista, fundada em 1930, e teve uma noção da transformação ao longo dos anos.

“Os exemplares que tive acesso foi desde 1952 e o último é de 2018, obviamente que me aliviou ver que a revista, ao longo das transformações apresenta uma vontade enorme e muito coerente da adaptação aos sinais dos tempos, coloquei as revistas lado a lado e foi engraçado ver esse esforço”, conta. 

Diana Maria D’Orey notou ainda uma “grande diferença” entre as publicações antes do Concílio Vaticano II e pós Concílio e defende que se perdeu “uma linguagem especial”.

“Há uma mudança em termos de linguagem visual: antes do Concílio consigo ver na revista uma linguagem visual particular, uma linguagem especial, que denuncia a Igreja Católica e no pós é difícil de encontrar, porque se diz uma Igreja universal, que quer chegar a toda a gente, e percebo essa intenção, mas a Igreja foi perdendo esse potencial que tinha de trabalhar essa linguagem visual tão própria e coerente”, explica.

A estudante referiu ainda que o tipo de letra é um “conteúdo muito importante” na análise da linguagem visual e na forma de cativar os leitores. 

“O leitor lê bem o que está mais habituado e atualmente o leitor anda muito perdido, lê em várias plataformas e não se identifica com determinado tipo de letra, as letras são desenhadas à semelhança do homem, daí defendo que essa identificação seria através de letras serifadas, o oposto do que a Cruzada usa hoje em dia”, esclarece.

Esta identificação com o leitor, na opinião de Diana Maria D’Orey, faz com que os jovens sejam mais facilmente motivados à leitura e as “imagens na capa” causem “mais impacto pela verdade que transmitem”.

SN

 

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