Como seguimos Jesus hoje?

A liturgia deste 23.º domingo do tempo comum convida-nos a tomar consciência de quanto é exigente o caminho do Reino de Deus. Optar pelo Reino não é escolher um caminho de facilidade, mas aceitar percorrer um caminho de renúncia e de dom da vida.

Jesus é demasiado duro, as suas exigências são demasiado radicais: “Se alguém vem ter comigo, sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo… Quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo». Sem contar com este convite ao sofrimento: “Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo”.

Parece que Jesus quer desencorajar quem quer ser seu discípulo. É preciso compreender que Lucas escreve o seu Evangelho num contexto de perseguições. Alguns cristãos preferiam morrer a renegar a sua fé. Outros, talvez os mais numerosos, escolhiam colocar, pelo menos momentaneamente, a sua fé entre parêntesis para salvar os seus bens, a sua família e a sua própria vida.

São Lucas quis, não tanto condenar estas fraquezas na fé, mas sobretudo dar um forte encorajamento àqueles que se mantinham firmes na fé até à morte. Eram esses, os mártires, que tinham razão em seguir Jesus até no mistério da sua morte na cruz.

O que nos podem dizer hoje estas palavras de Jesus? O nosso mundo é duro em tantos domínios. Por exemplo, o sentido do casamento e da família, o valor da palavra dada para ser fiel ao marido e à esposa não são referências maiores da nossa cultura. Não é fácil hoje, numa sociedade descristianizada, assumir e promover valores cristãos, fazer referência ao Evangelho, afirmar-se como crente em Jesus. Muitíssimos distanciaram-se de Deus, da fé cristã.

A Palavra de Deus de hoje é-nos servida para nos despertar e, ao mesmo tempo, para nos encorajar. Aqueles que, apesar de tudo e contra tudo, continuam a dar um lugar importante na sua vida a Jesus têm razão. O Evangelho de hoje é um convite urgente a mantermo-nos na nossa fé, por mais que isso custe.

Como seguimos Jesus? À maneira de um líder político, de uma estrela da canção, de um ídolo do futebol? Tornar-se discípulo de Jesus hoje é uma questão de preferência absoluta, num caminho que passa pela cruz, levada com pleno amor e fecundo sentido de viver em Cristo! Como diz a canção do meu confrade Padre Zezinho: «no peito levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus!»

Que assim seja, sempre e neste reinício de ano letivo e pastoral, nas nossas vidas, famílias e comunidades cristãs e religiosas!

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

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