Que fazemos da Palavra de Deus?

O Evangelho deste quarto domingo do tempo comum mostra como Jesus, o Filho de Deus, ao cumprir o projeto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua ação, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.

Já a primeira leitura nos propõe, a partir da figura de Moisés, uma reflexão sobre a experiência profética. O profeta é alguém que Deus escolhe, chama e envia para ser a sua palavra viva no meio dos homens. Através dos profetas, Deus vem ao encontro dos homens e apresenta-lhes, de forma bem percetível, as suas propostas.

Voltando ao Evangelho, vemos que, por duas vezes, Marcos chama a nossa atenção para o ensinamento de Jesus, feito de palavras “com autoridade”. As multidões são atingidas: esta palavra é verdadeiramente diferente da dos escribas. Estes últimos eram, na realidade, repetidores que apenas rediziam a Lei, triturando-a de mil maneiras, disputando o sentido de cada palavra, acabando por diluir a Palavra de Deus nas suas argúcias. Os seguidores de Jesus sentem que a palavra de Jesus não é dita de cor, mas pronunciada do fundo do seu coração para atingir o coração das pessoas, mesmo que levem tempo a descobrir que esta palavra vem do coração de Deus.

A palavra nova que Jesus anuncia é uma palavra que faz crescer, que está ao serviço do crescimento do ser e da vida. É o sentido da ordem de Jesus ao espírito mau: “Silêncio! Sai deste homem!” Jesus veio para que os homens “tenham a vida e a tenham em abundância”. A sua autoridade é unicamente um poder de vida e não de morte. Os escribas acabavam por esterilizar a Lei, mas Jesus liberta-a de toda a carcaça para fazer dela uma Palavra criadora de vida.

E nós, em Igreja, que fazemos desta Palavra? Muitas vezes, podemos correr o risco de transformar as palavras do Evangelho em tantos preceitos morais e jurídicos, que enfermam as consciências, em lugar de fazermos apelos ao Espírito de liberdade que faz de nós seres vivos.

Como discípulos missionários, procuremos levar no coração a Palavra para os dias desta semana, que podem ser pontuados com encontros, ainda que de modo digital face à pandemia, com o Senhor: momentos de oração pessoal, em casal, em família, celebrações, momentos de meditação, sempre centrados na Palavra de Deus. Procuremos viver na alegria do Evangelho que nos transforma por dentro, como tão insistentemente nos apela o Papa Francisco.

Nesta Semana do Consagrado, e em particular na Festa da Apresentação do Senhor a 2 de fevereiro, também Dia do Consagrado, renovemos a nossa consagração ao Senhor no anúncio fiel, alegre e feliz do Evangelho.

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

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