Cristo é o alimento do meu viver?

A Palavra que nos é servida neste 18.º Domingo do Tempo Comum diz-nos que Deus está empenhado em oferecer ao seu Povo o alimento que dá a vida eterna e definitiva.

A primeira leitura apresenta-nos Deus a oferecer o alimento que dá vida, mesmo quando o Povo tem saudades das cebolas do Egipto, a tal tentação daquilo que ficou para trás e não sacia plenamente.

A segunda leitura diz-nos que o encontro com Cristo deve significar, para qualquer pessoa, uma mudança radical, um modo completamente diferente de se situar face a Deus, face aos irmãos, face a si próprio e face ao mundo criado. Isso é deixar de ser homem velho e passar a ser homem novo.

O Evangelho apresenta Jesus como o pão da vida que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse pão, que escutem as palavras que Ele diz e as acolham no coração, que aceitem os seus valores e adiram à sua proposta.

O Evangelho questiona-nos ao afirmar que Jesus de Nazaré é o «pão de Deus que desce do céu para dar a vida ao mundo». Que lugar ocupa Jesus na nossa vida? Ele é, verdadeiramente, o centro em que construímos a nossa existência? Jesus é uma figura do passado, embora excecional, ou é o Deus que continua vivo e a caminhar ao nosso lado, oferecendo-nos vida em plenitude? Jesus é “mais uma” das nossas referências ao lado de tantas outras ou a nossa referência fundamental? É alguém a quem adoramos, que nos indica o caminho, que nos propõe valores, que condiciona a nossa atitude face a Deus, face aos irmãos e face ao mundo?

Jesus mostra-Se profundamente incomodado quando constata que a multidão O procura pelas razões erradas. Ele não quer que as pessoas O sigam por engano ou estejam iludidas.

Há aqui um convite implícito a repensarmos as razões pelas quais nos envolvemos com Cristo. É um equívoco procurar o Batismo porque é uma tradição da nossa cultura; é um equívoco celebrar o matrimónio na Igreja porque, assim, a cerimónia é mais espetacular e até proporciona fotografias mais bonitas; é um equívoco assumir tarefas na comunidade cristã para nos autopromovermos ou nos mostrarmos; é um equívoco receber o sacramento da Ordem porque o sacerdócio nos proporciona uma vida cómoda e tranquila; é um equívoco praticarmos certos atos de piedade para que Jesus nos recompense e nos livre de desgraças.

A nossa adesão a Jesus deve partir de uma profunda convicção de que só Ele é o pão que nos dá vida. Que assim seja neste domingo de verão, vivido em tempo propício para o lazer, com os devidos cuidados a ter face à pandemia. Tomemos Cristo como centro e verdadeiro alimento do nosso viver.

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

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