Passemos da emergência da pandemia à urgência do amor

Neste 34.º Domingo do Tempo Comum, que termina o ciclo litúrgico do Ano A, celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

Este rei não é como os outros: o seu Reino não é deste mundo, a sua coroa é de espinhos, o seu trono é uma cruz, o seu poder é diferente do poder do mundo, o seu exército é composto por homens desarmados, a sua lei são as bem-aventuranças e o amor, o seu Reino é um mundo de paz.

A primeira leitura de Ezequiel utiliza a imagem do Bom Pastor para apresentar Deus e para definir a sua relação de ternura, amor e carinho pelo seu povo. Um belíssimo texto sobre o cuidado extremo de Deus para connosco, que importa reler com toda a atenção.

Na segunda leitura, Paulo lembra aos cristãos que o fim último da caminhada do crente é a participação nesse Reino de Deus de vida plena, para o qual Cristo nos conduz.

A parábola do juízo final no Evangelho impressiona pela sua simplicidade e provocação: apresenta o Filho do Homem sentado no seu trono, a separar as pessoas umas das outras, “como o pastor separa as ovelhas dos cabritos”.

No primeiro diálogo, o rei acolhe as ovelhas e convida-as a tomar posse da herança do Reino. No segundo, o rei afasta os cabritos e impede-os de tomar posse dessa herança.

Qual é o critério que o rei utiliza para acolher uns e rejeitar outros?

A questão decisiva está na atitude de amor ou de indiferença para com os irmãos que se encontram em situações dramáticas de necessidade, os que têm fome e sede, os peregrinos, os que não têm que vestir, os que estão doentes, os que estão na prisão. Jesus identifica-Se com os pequenos, os pobres, os débeis, os marginalizados, os descartados da sociedade. Manifestar amor e solidariedade para com o pobre é fazê-lo ao próprio Jesus; manifestar egoísmo e indiferença para com o pobre é fazê-lo também ao próprio Jesus.

À luz da cena apresentada por Mateus, as parábolas dos domingos anteriores ganham nova força. “Estar vigilantes e preparados” consiste, principalmente, em viver o amor e a solidariedade para com os pobres, os pequenos, os desprotegidos, os marginalizados. Os egoístas e os indiferentes não têm lugar no Reino de Deus.

Não esqueçamos nunca este facto essencial: o Reino de Deus está no meio de nós. Depende de nós fazer com que esse Reino deixe de ser uma miragem, para passar a ser uma realidade a crescer e a transformar o mundo e a vida das pessoas.

Empenhemo-nos nesta semana em dar, em nome do Senhor, ternura e reconforto aos pequenos até aqui ignorados e tão próximos de nós, no nosso prédio, bairro e cidade e, quem sabe, até na nossa casa, na comunidade cristã, na comunidade religiosa. Entremos na ternura do Rei de Amor, tão necessária nestes tempos difíceis de pandemia que estamos a viver. Passemos da emergência da pandemia à urgência do amor!

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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