Escutar e seguir o Bom Pastor

Os textos bíblicos deste quarto domingo pascal sintonizam com o Domingo do Bom Pastor que hoje celebramos.

O Evangelho apresenta Cristo como o Pastor cuja missão é libertar o rebanho de Deus do domínio da escravidão e levá-lo à vida em plenitude.

A segunda leitura apresenta-nos também Cristo como o Pastor que guarda e conduz as suas ovelhas. Os crentes devem seguir esse Pastor.

A primeira leitura traça, de forma bastante completa, o caminho que Cristo, o Pastor, desafia os seus discípulos a percorrer: é preciso converter-se, ser baptizado e receber o Espírito Santo.
Fiquemos uns instantes nas interpelações do Evangelho. Para os cristãos, o Pastor por excelência é Cristo, com o qual deve haver um permanente diálogo íntimo. Não faz sentido seguir outros pastores ou outras vozes que nos arrastam e se tornam referências à volta das quais construímos a nossa existência.

Cristo desempenha a sua missão de Pastor com máxima atitude de proximidade: Ele conhece as ovelhas e chama-as pelo nome, mantendo com cada uma delas uma relação única, especial, pessoal. Dirige-lhes um convite para deixarem a escuridão, mas não força ninguém a segui-l’O: respeita absolutamente a liberdade de cada pessoa. É dessa forma humana, tolerante e amorosa que somos convidados a nos relacionamos mutuamente. Aqueles que receberam de Deus a missão de animar uma comunidade só podem exercer a sua missão no respeito absoluto pela pessoa, pela sua dignidade, pela sua individualidade.

As ovelhas do rebanho de Jesus têm de escutar a voz do Pastor e segui-l’O. Isso significa, concretamente, tornar-se discípulo, aderir a Jesus, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, na entrega total aos projetos de Deus e na doação total aos irmãos.

Vale a pena meditar na mensagem que o Papa Francisco nos oferece neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, tendo como pano de fundo o texto evangélico da noite de tempestade no lago de Tiberíades. Convida-nos a assumir quatro atitudes: tribulação, gratidão, coragem e louvor. “O louvor é a última palavra da vocação e pretende ser também o convite a cultivar a atitude interior de Maria Santíssima: agradecida pelo olhar que Deus pousou sobre Ela, superando na fé medos e perturbações, abraçando com coragem a vocação, Ela fez da sua vida um cântico eterno de louvor ao Senhor”.

Tomemos tempo para caminhar ao ritmo do Pastor que nos conhece e que chama a cada um de nós pelo próprio nome. Escutemos a sua voz, saboreando o magnífico Salmo 22: «O Senhor é meu pastor, nada me falta». Procuremos também rezar pela fidelidade à vocação a que o Senhor nos chama e por todas as outras vocações. Confiemos no Senhor, sejamos felizes e façamos os outros felizes. Que assim seja ao longo desta semana.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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