Amar Deus, amar o próximo

A liturgia do 30.º Domingo do Tempo Comum diz-nos, de forma clara, que o amor está no centro da experiência cristã. Toda a revelação de Deus se resume no amor: amor a Deus e amor aos irmãos. Os dois mandamentos não podem separar-se, são semelhantes.

Mais de dois mil anos de cristianismo criaram uma pesada herança de mandamentos, de leis, de preceitos, de proibições, de exigências, de opiniões, de pecados e de virtudes, que arrastamos pesadamente pela história. Ao longo do caminho, misturámos tudo e perdemos a noção do que é verdadeiramente a essência que dá sentido à vida.

Hoje, gastamos tempo e energias a discutir certas questões que até são importantes, mas continuamos a ter dificuldade em discernir o essencial da proposta de Jesus.

O Evangelho deste domingo põe as coisas de forma totalmente clara. Jesus diz ao doutor da Lei aquilo que é essencial: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito… Amarás o teu próximo como a ti mesmo».

O que é amar a Deus? Em Jesus e como Jesus, o amor a Deus passa, antes de mais, pela escuta da sua Palavra, pelo acolhimento das suas propostas e pela obediência total aos seus projetos, que são para mim próprio, para a Igreja, para a minha comunidade e para o mundo.

Isso implica a escuta atenta das propostas de Deus, mantendo um diálogo pessoal com Ele, procurando refletir e interiorizar a sua Palavra, tentando interpretar os sinais com que Ele me interpela na vida de cada dia.

Isso exige ter o coração centrado em Deus e ser uma testemunha profética que interpela o mundo, sem construir uma vida à margem de Deus ou contra Deus nem me instalar num cantinho cómodo de renúncia ao compromisso com Deus e com o Reino.

O que é amar os irmãos? Em Jesus e como Jesus, o amor aos irmãos passa por prestar atenção a cada homem ou mulher com quem me cruzo pelos caminhos da vida, por sentir-me solidário com as alegrias e sofrimentos de cada pessoa, por partilhar as desilusões e esperanças do meu próximo, por fazer da minha vida um dom total a todos. O mundo em que vivemos precisa de redescobrir o amor, a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida.

O Evangelho deste domingo compromete-nos seriamente a sermos concretos no amor. E já agora, a primeira leitura do Êxodo está cheia de indicações muito precisas para que o amor ao próximo não fique no abstrato. Importa levá-la também para a vida desta semana, juntamente com a entoação do Salmo: «Eu Vos amo, Senhor, vós sois a minha força». Só no amor podemos servir o Deus vivo e verdadeiro, ressuscitado em Jesus, como afirma São Paulo na segunda leitura.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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