Não ponhamos Deus de férias!

Neste 19.º Domingo do Tempo Comum, podemos realçar a mensagem da primeira leitura do Livro dos Reis. É um convite a regressarmos às origens do nosso compromisso de fé, para fazermos uma peregrinação ao encontro do Deus da comunhão e da Aliança. Não encontramos Deus nas manifestações espetaculares, mas na máxima simplicidade.

Elias passa a noite numa gruta e aceita o convite do Senhor: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». O Senhor passou e apareceu na brisa suave.

Quem é Deus? Como é Deus? É possível provar, sem margem para dúvidas, a existência de Deus? Perguntas que certamente já fizemos ou ouvimos. Somos pessoas a quem Deus inquieta: há algo no coração da pessoa que a leva a interrogar-se sobre Deus e a tentar descobrir o seu rosto.

Mas Deus não é evidente. Se confiarmos apenas nos nossos sentidos, Deus não existe: não conseguimos vê-l’O com os nossos olhos, sentir o seu cheiro ou tocá-l’O com as nossas mãos.

Mais ainda: nenhum instrumento científico, nenhum microscópio eletrónico, nenhum radar espacial detetou qualquer sinal sensível de Deus. Talvez por isso o soviético Yuri Gagarin, o primeiro homem do espaço, mal pôs os pés na terra, apressou-se a afirmar que não tinha encontrado na estratosfera qualquer marca de Deus. Uma atitude meramente sensorial e física…

O texto que nos é proposto convida todos aqueles que estão interessados em Deus a descobri-l’O no silêncio, na simplicidade, na intimidade. É preciso calar o ruído excessivo, moderar a atividade desenfreada, encontrar tempo e disponibilidade para consultar o coração, para interrogar a Palavra de Deus, para perceber a sua presença e as suas indicações nos sinais, quase sempre discretos, que Ele deixa na nossa história e na vida do mundo. É preciso encontrar tempo para «buscar Deus». E o tempo de verão, logo nestes inícios de agosto, deveria ser também aproveitado para isso. Não ponhamos Deus de férias!

Hoje como ontem, há outros deuses, outras propostas de felicidade, que nos procuram seduzir e atrair. Há deuses que gritam alto a sua capacidade de nos oferecer uma felicidade imediata; há deuses que, como um terramoto, fazem tremer as nossas convicções e lançam por terra os valores que consideramos mais sagrados; há deuses que, com a força da tempestade, nos arrastam para atitudes de egoísmo, de prepotência, de injustiça, de comodismo, de ódio. A Palavra de Deus convida-nos a uma peregrinação ao encontro das nossas raízes, dos nossos compromissos batismais. Temos, permanentemente, de partir ao encontro de Deus. Como Elias, tomemos tempo para O acolher na brisa suave, ou, olhando o Evangelho de hoje, para O acolher na barca do mar onde Cristo vai ao leme dos nossos corações!

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

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