Angra: Romarias Quaresmais 2026 começam com 11 ranchos

Angra do Heroísmo, Açores, 21 fev 2026 (Ecclesia) – A Diocese de Angra destaca que as Romarias Quaresmais 2026 começam este sábado, dia 21 de fevereiro, ao todo são 53 ranchos que vão percorrer a ilha de São Miguel, no arquipélago português dos Açores, até Quinta-feira Santa.

Neste primeiro dia de Romarias Quaresmais 2026 vão começar a percorrer a Ilha de São Miguel 11 ranchos, informa o sítio online ‘Igreja Açores’: Cabouco, São Pedro de Ponta Delgada, Candelária, Várzea, Santa Bárbara, São Roque, Ribeirinha, Ribeira Quente/Furnas, Milagres, Calhetas, e o rancho de Toronto, que tem a sua saída e termino no Santuário do  Senhor Santo Cristo.

Ao todo, durante da Quaresma, vão sair 53 ranchos nesta ilha açoriana, o Movimento de Romeiros de São Miguel considerado que este número ligeiramente inferior ao habitual é “mais fraco”, mas revelador da vitalidade de uma tradição secular enraizada na identidade açoriana.

‘Batizados na Esperança’, o título da primeira Carta Pastoral do bispo de Angra é o mote adotado pelo movimento de romeiros para s Romarias 2026.

D. Armando Esteves Domingues escreveu também 14 intenções de oração para esta caminhada espiritual dos romeiros açorianos,  grandes preocupações da Igreja e as feridas da sociedade ligadas a esta tradição insular.

Segundo os responsáveis do Movimento de Romeiros de São Miguel, esta mensagem distingue-se de outras épocas pela abordagem “muito social, virada para o mundo atual”, tocando realidades que afetam diretamente as famílias açorianas — desde as dependências ao álcool, passando pela violência doméstica e pelas fragilidades que se instalam nos lares.

A Diocese de Angra informa que os ranchos de romeiros estão a realizar reuniões semanais de preparação, há mais de três semanas, e a organização destaca três dimensões essenciais: espiritual, prática e física.

Na vertente espiritual, o retiro realizado no Nordeste forneceu bases de formação que cada irmão mestre adapta à realidade do seu rancho, a oração, o estudo da Bíblia e a devoção a Nossa Senhora continuam a marcar o ritmo das preparações.

Sobre a componente cívica de recordar que os romeiros passam as noites em salões e casas de família, e é preciso sentido de responsabilidade e bom comportamento.

“Queremos continuar a fazer o que sempre foi bem feito; A romaria é uma vida”, salientou o presidente da Comissão Administrativa que organiza as Romarias Quaresmais 2026, em nome da direção do Movimento de Romeiros.

Rui Melo assinalou que a romaria não se esgota na peregrinação: começa na Páscoa e prolonga-se no quotidiano, na forma de viver em família, no trabalho e na comunidade, e caminhar pode deixar dores físicas, mas oferece alimento e alento espiritual para todo o ano, por isso, procuram pessoas disponíveis para, todos os dias, tentarem viver os valores do Evangelho.

“Quem já foi uma vez na romaria nunca mais é a mesma pessoa”, assegurou o mestre do rancho dos Milagres, Arrifes, que começa a sua romaria este sábado.

José Maria Sousa é romeiro há 48, mestre há cerca de 35 anos, e vai sair com cerca de 45 irmãos — em 2025 foram 55 pessoas —, com idades entre os 9 e os 72 anos.

“A romaria é uma caminhada de fé, de oração, de penitência e de sacrifício, com um firme propósito de mudança de vida”, acrescentou o mestre do rancho dos Milagres.

As Romarias Quaresmais de São Miguel são uma tradição secular (desde o séc. XVI) e uma das mais importantes expressões de fé nos Açores, onde ranchos (grupos) de homens percorrem a ilha a pé durante a Quaresma, visitando igrejas e ermidas de Nossa Senhora em oração e penitência.

Os romeiros trajam com xaile, lenço, bordão e terço, contornam a ilha no sentido dos ponteiros do relógio (com o mar à esquerda), visitando cerca de 100 locais de culto ao longo de uma semana.

Esta tradição surgiu como resposta religiosa a catástrofes naturais (sismos e erupções vulcânicas) no século XVI, buscando proteção divina. Decorre entre  o primeiro sábado da Quaresma e a Quinta-Feira Santa.

O sítio online ‘Igreja Açores’, da Diocese de Angra, informa que para além da Ilha de São Miguel, existem também romarias em em mais três ilhas do arquipélago dos Açores – São Jorge, na Terceira e na Graciosa – e, a partir deste sábado, 21 de fevereiro, vai começar-se a ouvir uma jaculatória que “atravessa gerações”: “Seja sempre bendita e louvada a sagrada Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Em 2025, a manifestação ‘Romeiros de São Miguel’ foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, destacando a sua relevância como um dos maiores fenómenos religiosos de Portugal.

CB

Igreja/Sociedade: Bispo de Angra partilhou 14 intenções de oração com os romeiros

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