Ucrânia: Cáritas alerta para aumento da pobreza e para quatro milhões de pessoas sem casa, após quatro anos de guerra

Foram identificadas quatro prioridades urgentes para o próximo ano, sendo a primeira a resposta a emergências

Foto: Lusa/EPA

Ucrânia, 21 fev 2026 (Ecclesia) – Duas organizações da Ucrânia alertaram para o aumento da pobreza e para o número de pessoas sem casa, que ascende aos quatro milhões, a dias de o conflito no país assinalar quatro anos.

“Na Ucrânia, mais de quatro milhões de pessoas perderam as suas casas e precisam de soluções habitacionais a longo prazo devido à guerra. Inicialmente, focámo-nos em abrigos de emergência para os deslocados”, afirmou Tetiana Stawnychy, presidente da Caritas Ucrânia, numa nota da ‘Caritas Internationalis’ enviada à Agência ECCLESIA.

Segundo a responsável, a organização encontra-se neste momento a trabalhar “com o governo para desenvolver um plano de habitação social para ajudar as pessoas a reconstruir as suas vidas”.

Na sequência dos ataques militares às infraestruturas civis, as necessidades humanitárias estão a aumentar rapidamente em todo o país, sendo a resposta da Cáritas liderada por duas organizações nacionais: a Caritas Ucrânia e a Caritas-Spes Ucrânia, que operam em todo o país através de uma das maiores redes humanitárias do país.

Segundo revela a Confederação Internacional, desde fevereiro de 2022, quando se iniciou o conflito, as duas “apoiaram mais de 6 milhões de pessoas, permanecendo próximas das comunidades afetadas e adaptando-se à medida que a guerra corroeu os meios de subsistência, as poupanças e a resiliência económica”.

Citando dados oficiais, a ‘Caritas Internationalis’ informa que “mais de 10,8 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária”.

“A pobreza continua grave, as famílias esgotaram os seus recursos e as pessoas estão agora 15 a 20% mais dependentes do apoio externo do que no início de 2024, o que sublinha que muitas estão a atingir os limites da sua resiliência”, indicou.

O padre Vyacheslav Grynevych SAC, diretor executivo da Caritas-Spes Ucrânia dá conta que, antes da guerra, a cozinha comunitária em Kiev servia cerca de 60 pessoas por dia, principalmente sem-abrigo e que hoje são mais 500 os beneficiários todos os dias, “principalmente famílias carentes sem aquecimento ou eletricidade em casa”.

A ‘Caritas Internationalis’ adverte que a situação humanitária continua a deteriorar-se, com milhões de civis e pessoas em condições vulneráveis a enfrentar o inverno mais frio dos últimos tempos sem aquecimento.

“As regiões da linha da frente e fronteiriças enfrentam perigos diários, enquanto as comunidades continuam a suportar as consequências a longo prazo das deslocações e dos choques repetidos. As infraestruturas civis continuam sob pressão, afetando a vida quotidiana”, assinala.

Dada a situação no país, para este ano, a Cáritas identificou quatro prioridades urgentes, sendo a primeiro a resposta a emergências.

“A assistência para salvar vidas, as evacuações e o apoio às pessoas afetadas por ataques com mísseis e drones continuam a ser fundamentais, tanto nas zonas da linha da frente como nas cidades distantes dos combates”, lê-se na nota.

Como segundo eixo está o apoio durante o inverno e o restabelecimento dos serviços básicos, uma vez que “os repetidos ataques às infraestruturas energéticas continuam a causar cortes de eletricidade, falhas no aquecimento e interrupções no abastecimento de água, afetando particularmente os residentes de edifícios altos nos grandes centros urbanos”.

A habitação é a terceira prioridade, na qual a Caritas está a trabalhar para ir além de soluções temporárias e encontrar soluções sustentáveis, em coordenação com as autoridades locais e nacionais.

“A quarta é a subsistência, ajudando as pessoas a encontrar emprego ou a reconstruir atividades económicas de pequena escala, restaurando a independência e a dignidade”, informa a Cáritas.

A organização refere que “em todas as prioridades, a saúde mental e o apoio psicossocial tornaram-se centrais: “O apoio a crianças, famílias, veteranos e comunidades já não é secundário, mas essencial para sustentar a coesão social e a resiliência”.

Quatro anos depois da invasão russa à Ucrânia, com início a 24 de fevereiro de 2022, a confederação internacional da Cáritas alerta para um desafio crescente: “a fadiga humanitária está a aumentar à medida que a atenção se desvia e a unidade é posta à prova”.

“Numa guerra que já devasta o povo da Ucrânia há quatro anos, levando as pessoas a fugir em busca de refúgio em todas as direções, a nossa solidariedade e cuidado nunca foram tão necessários”, destacou Alistair Dutton, secretário-geral da ‘Caritas Internationalis’.

“Não podemos parar. Da mesma forma, precisamos de esforços sérios, sinceros e abrangentes para uma paz justa e sustentável. Esta guerra tem de acabar», sublinhou.

LJ

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