«A Quaresma existe para que a Páscoa seja a vitória do Homem Novo em cada batizado» – D. Armando Esteves Domingues

Angra do Heroísmo, Açores, 18 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra pede que esta que a Quaresma seja vivida como uma “peregrinação”, mais do que como uma soma de eventos “isolados”, apresentando este tempo litúrgico como uma oportunidade de escuta e discernimento pessoal, centrada no encontro com Jesus.
“A Quaresma é essa proposta sábia para que todos possam escutar melhor a voz de Deus que responde às nossas ânsias mais profundas. Gosto de imaginar Jesus a encontrar-se com o jovem de que fala o Evangelho (Mc 10), a fixá-lo nos olhos e a possibilitar que ele se reencontre e decida o caminho em liberdade”, escreve D. Armando Esteves Domingues, na mensagem enviada à Agência ECCLESIA.
O bispo de Angra começa por salientar que a quadra litúrgica Quaresma/Páscoa está cheia de “manifestações de fé e piedade, enraizadas na história cristã”, na vida das famílias, movimentos e paróquias, que dizem bem quem foram e que são “como cristãos”.
A Quaresma, que se inicia hoje com a celebração de Cinzas (quarta-feira), é um tempo litúrgico de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (5 de abril, em 2026).
Na sua mensagem, intitulada ‘da quaresma à páscoa: para que ressuscite o homem novo!’, o bispo de Angra propõe que, “pessoalmente, em família, em grupos paroquiais ou em movimentos”, façam uma reflexão sobre como concretizar práticas deste tempo, e partilha “algumas pistas baseadas na frase de Jesus” – “ouvistes o que foi dito… eu porém digo-vos…” -, no Evangelho de São Mateus (Mt 5, 17-37), a “olhar os tradicionais pontos da espiritualidade quaresmal e a dar-lhes um sentido mais profundo”.
O bispo de Angra explica que são “convidados a corrigir hábito”, porque a verdadeira penitência quaresmal é “abertura ao toque de Jesus que cura o pecado, sara vícios, aponta o caminho do amor, tal como Jesus fez ao tocar o leproso”, e salienta que na Quaresma se exercitam “atitudes exteriores que sejam fruto de uma conversão interior”.
Neste tempo litúrgico são convidados também “à oração mais sincera e cuidada”, que “não é apenas recitar fórmulas para cumprir deveres, mas respirar no ritmo do amor de Deus que habita em nós”, e incentiva a procurar momentos de silêncio orante, “talvez diante da cruz, da Bíblia, de uma vela acesa que lembra o batismo, participando na Eucaristia dominical, numa Via Sacra, etc”.
Sobre o jejum, D. Armando Esteves Domingues observa que “continua uma prática importante”, e que “não é apenas dieta, é libertação interior com visibilidade exterior”, e que cada sexta-feira de Quaresma “continua a ser um dia especial de jejum”.
“Jejuar do supérfluo, dos exageros na comida ou bebida, no fumo ou outras drogas, nos ambientes que proporcionam pecado e desumanização, para assim reencontrar e optar pelo essencial e centrar a vida em Jesus; Jejuar é desistir de resolver assuntos sérios através das “redes” onde se mistura verdade com mentira, juízos com condenações e de onde ninguém sai “homem novo”, mas “mais homem velho””, desenvolveu.
O bispo de Angra refere-se também à esmola, à partilha “com os mais pobres”, e afirma que “é muito mais do que dar coisas – é dar-se, como Jesus fez”, e para além de dinheiro, existe também “também tempo e atenção”, porque “uma grande esmola” é tornar presente, pela palavra e gestos, “o toque de Cristo no irmão só, triste ou esquecido”.
Sobre a Renúncia Quaresmal, D. Armando Esteves Domingues lembra que reverte para a Cáritas e Diocese de Leiria, “dada à calamidade que se abateu sobre algumas regiões do país” nas recentes tempestades, e recorda que a Diocese de Angra já enviou “40.000 € por conta da Renúncia”.
O responsável diocesano apela “à generosidade”, acrescenta que “tudo o que se recolher a mais será enviado no final”, e termina a mensagem a desejar uma “boa preparação para o canto glorioso do Aleluia” na Páscoa de 2026.
A renúncia quaresmal é um gesto associado às práticas tradicionais da esmola e do jejum, no qual os fiéis abdicam da compra de bens ou serviços habituais, reservando esse dinheiro para finalidades solidárias específicas, indicadas pelo bispo da diocese, durante o tempo de preparação para a Páscoa.
O bispo de Angra vai presidir à celebração de imposição de Cinzas, esta quarta-feira, às 18h00 locais, na Sé.
CB/OC
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