Angra: Bispo apela à vivência diária da Páscoa e lamenta «falta de domingo» nas comunidades

«Precisamos de mais Páscoa. Mais Páscoa, mais esperança» – D. Armando Esteves Domingues

Foto: Igreja Açores/CR

Angra do Heroísmo, Açores, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra apelou hoje a uma vivência contínua da fé, lamentando o afastamento das comunidades e sublinhando que a celebração da Páscoa deve manifestar-se no serviço aos mais frágeis.

“Falta domingo na vida dos cristãos. Falta participar com entusiasmo e alegria no encontro com Jesus Ressuscitado na Eucaristia”, afirmou D. Armando Esteves Domingues, na homilia do Domingo de Páscoa, proferida na catedral açoriana.

O prelado destacou que a principal festa da fé não se pode esgotar num rito anual, exigindo gestos concretos de amor e uma atitude de cuidado para com o próximo na sociedade.

“Precisamos de mais Páscoa. Mais Páscoa, mais esperança”, sublinhou o bispo de Angra, acrescentando que celebrar a ressurreição implica “ir todos os dias para a rua servir e cuidar”, indicou, numa intervenção divulgada pelo portal diocesano ‘Igreja Açores’.

A reflexão evocou as dificuldades e os lutos enfrentados pelas famílias, apontando a esperança cristã como uma resposta que nasce nos momentos de maior fragilidade e desolação.

“A fé cristã nasce na escuridão, não na luz. É a escuridão que conhecemos quando uma casa fica vazia após um luto, quando um médico pronuncia palavras que nos tiram o fôlego, quando um filho se afasta e já não conseguimos falar com ele”, lembrou D. Armando Esteves Domingues.

“A razão não compreende, mas o amor ajuda o coração a abrir-se e a ver. A alegria da Páscoa amadurece apenas no terreno de um amor fiel”, acrescentou.

O bispo diocesano dirigiu-se também aos leigos, desafiando todos os batizados a assumirem a sua missão com competência e a saírem dos seus “túmulos interiores” para reconstruir a esperança.

Quando todos os batizados se aperceberem da enorme possibilidade e responsabilidade que lhes vem do facto de serem batizados, não será mais necessário falar de corresponsabilidade e de participação.”

A Eucaristia dominical concluiu-se com a renovação das promessas batismais por parte da assembleia, acompanhada pelo gesto de aspersão da água benzida durante a Vigília Pascal.

OC

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