Arcebispo Ivan Jurkovič destacou iniciativas católicas para «promover as línguas indígenas»

Foto: Lusa

Genebra, 19 set 2019 (Ecclesia) – O observador permanente da Santa Sé na ONU disse que o Sínodo dos Bispos dedicado à Amazónia, marcada para outubro no Vaticano, tem nos seus objetivos “refletir” sobre o papel povos indígenas” e “o compromisso da Igreja Católica” na sua proteção e promoção.

“A reunião do Sínodo dos Bispos, solicitada pelo Papa Francisco, terá como objetivo refletir, entre outras questões, sobre a contribuição dos povos indígenas que vivem naquela região para a cultura da mundo e o compromisso da Igreja Católica em proteger e promover sua herança”, afirmou o arcebispo Ivan Jurkovič, esta quarta-feira, em Genebra, numa intervenção enviada hoje à Agência ECCLESIA.

‘Amazónia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’ é o tema da assembleia especial do sínodo, de 6 a 27 de outubro, e o documento de trabalho alertou, por exemplo, para a “falta de demarcação dos territórios indígenas e a falta de reconhecimento do seu direito à terra”, a “rápida perda da biodiversidade”, pela extinção de espécies da flora e da fauna.

Para o observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, o “papel crucial” desempenhado pelas comunidades indígenas em relação às suas terras ancestrais “exige um modelo diferente de desenvolvimento”.

Falando na 42.ª Sessão do Conselho dos Direitos Humanos, no painel anual sobre Povos Indígenas, D. Ivan Jurkovič explicou que a Igreja Católica “continua a promover as línguas indígenas”, construindo centros de estudo, supervisionando a composição de livros de gramática e encomendando numerosas traduções.

A partir do documento de trabalho do sínodo, destacou que, “em vários lugares do mundo”, como na Região Amazónica “já existem alguns centros de comunicação social administrados pelos próprios indígenas”, onde experimentam “a alegria de poder expressar as suas próprias palavras e voz, não apenas para suas próprias comunidades, mas também para o mundo exterior”.

O arcebispo esloveno começou por assinalar que a Assembleia Geral da ONU decidiu que 2019 é o Ano Internacional das Línguas Indígenas e referiu que o “património cultural” destes povos, “cujas línguas são de importância crucial”, deve ser considerado um “enriquecimento da identidade cultural de um Estado”.

“O Direito Internacional dos Direitos Humanos é claro ao enquadrar a proteção das línguas tradicionais dentro de um amplo espetro de direitos políticos, sociais, económicos e culturais aos quais os indígenas têm direito, independentemente de estarem a viver em comunidades indígenas ou em assentamentos urbanizados”, desenvolveu.

D. Ivan Jurkovič referiu que a “preservação das línguas indígenas” enriquece a “família de nações em humanidade” e fornece “conhecimentos mais necessários em relação à preservação do meio ambiente” e defendeu que os povos indígenas devem ser envolvidos “como parceiros essenciais na implementação” dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

A região pan-amazónica tem uma extensão de 7,8 milhões de km2, incluindo áreas do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa; dos seus cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos.

CB/OC

Sínodo 2019: Vaticano alerta para destruição da Amazónia e violação dos direitos dos povos indígenas (c/vídeo)

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