Departamento da Pastoral Litúrgica realizou jornada nas três regiões, mas participação foi «muito reduzida»

Faro, 19 fev 2026 (Ecclesia) – A Diocese do Algarve realizou as Jornadas de Pastoral Litúrgica 2026, sobre ‘Sacramentos da Cura’, centrados na Reconciliação e na Santa Unção, por regiões pastorais, mas a participação de cerca de 80 pessoas nos três encontros é “muito reduzida”.
“Sempre que se faz um encontro de liturgia é para todos os ministérios litúrgicos e depois acentuamos outros serviços ou ministérios, consoante a temática. Devido à importância destes dois sacramentos, considerámos que os catequistas e as famílias também se poderiam fazer presentes, pelo menos uma representação de cada comunidade”, disse o coordenador do Departamento Diocesano da Pastoral Litúrgica, em declarações ao jornal ’Folha do Domingo’, publicadas esta quarta-feira (18 fevereiro).
Com o tema geral ‘A Liturgia dos Sacramentos da Cura’, as Jornadas de Pastoral Litúrgica 2026 da Diocese do Algarve refletiram sobre os sacramentos da Reconciliação (Confissão) e o da Santa Unção, respetivamente apresentados pelo cónego Carlos de Aquino, e pelo padre Flávio Martins.
O cónego Carlos de Aquino, diretor do Departamento Diocesano da Pastoral Litúrgica, lamentou a falta de alguns destinatários concretos, e explica que os sacramentos da Reconciliação e da Santa Unção são “muito importantes”, mas “muito mal celebrados e vividos nas comunidades”.
“São dois grandes sacramentos propostos como dons da graça de Deus aos momentos de maior fragilidade e de provação da nossa vida”, indicou o pároco de Loulé.

A Diocese do Algarve realizou a sua Jornada de Pastoral Litúrgica de forma descentralizada, um encontro por cada um das regiões pastorais para “facilitar a proximidade e também uma maior participação”, mas o cónego Carlos de Aquino considerou “muito reduzida” a participação de cerca de 80 pessoas nos três encontros
“Há aqui uma falta de comunicação ou não se leva a sério a urgência e importância desta formação; Em Ferragudo e em Loulé funcionaram só dois grupos”, acrescentou, observando que os encontros por setores ficaram comprometidos.
Na Região Pastoral do Centro, a jornada realizou-se no dia 10 de janeiro, no Centro Paroquial de Loulé, no Barlavento encontraram-se a 7 de fevereiro, no Centro Pastoral de Ferragudo, e para a Região Pastoral do Sotavento a formação teve lugar dia 14 de fevereiro, no salão paroquial de São Luís, em Faro.
‘O Sacramento da Reconciliação – desafios pastorais’, foi o tema apresentado pelo padre Carlos de Aquino, que alertou que “é muito mal vivido, espiritual e pastoralmente”, na “vida pessoal e até eclesial”.
“A crise da confissão não é apenas moral, mas também antropológica e espiritual; vivemos hoje um grande paradoxo, pastoral até: nunca se falou tanto de cura interior, de saúde emocional e de espiritualidade e nunca se recorreu tão pouco ao sacramento da Penitência; se a espiritualidade fosse bem vivida, assumida, havia maior frequência a este sacramento e também seria mais valorizado”, desenvolveu o coordenador do Departamento Diocesano da Pastoral Litúrgica do Algarve.
![]() O padre Flávio Martins refletiu sobre o tema ‘O Sacramento da Santa Unção – A sua valorização pastoral’, e explicou que o “primeiro motivo e critério pastoral” deste sacramento é “estar presente e escutar”, a administração do sacramento cabe ao sacerdote, mas os visitadores dos doentes têm “um ministério muito simples porque significa simplesmente estar e ajudar”. “Quando visitamos o doente não precisamos de dizer muitas coisas. Às vezes, é preciso perguntar o que é que ele gostaria que eu fizesse naquela hora que estou ali; aquele que no sofrimento da sua enfermidade se fecha, provoca no seu coração um endurecimento, uma revolta contra Deus e um afastamento do seu amor e do amor dos outros”, acrescentou, indicando que “para visitar os doentes é necessária uma sensibilidade específica para estabelecer o diálogo com eles”. Segundo o sacerdote da Diocese do Algarve, “a doença pode provocar uma crise de fé” no doente, e aqueles que os visitam, em particular os ministros extraordinários da comunhão, “devem ter isto presente”, porque não podem “falar de Deus com ligeireza” quando estão “à cabeceira de uma mãe com cancro”, e aplicar a “capacidade de escutar e estar presente”. “Quando visitarem os doentes, não falam de Deus. Esperem que seja o doente a falar porque é preciso que ele abra esse espaço. Porque nós não sabemos a sua história, nem o que está por trás, e ao falarmos, podemos provocar um maior momento de crise naquela pessoa; sem os olhos da fé, não é fácil compreender por que razão existe a doença e por que razão esta é, por vezes, incurável”, acrescentou o padre Flávio Martins. |
O coordenador do Departamento Diocesano da Pastoral Litúrgica do Algarve, o padre Carlos de Aquino, explicou ainda que com o tema ‘A Liturgia dos Sacramentos da Cura’ quiseram “aprofundar de um modo mais estável” uma temática “apelativa e desafiadora, tendo em conta o programa pastoral”, lê-se no jornal ‘Folha do Domingo’.
CB

