Responsável católico sente-se «missionário como bispo»

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Faro, 17 set 2020 (Ecclesia) – O bispo do Algarve celebrou 20 anos de ordenação episcopal, no início de setembro, olhando para o passado “com gratidão”, assumindo os desafios do presentes e pedindo “a criatividade que vem do espírito” para enfrentar o futuro.

“Celebrando um aniversário, seja ele qual for, seja da vida, neste caso aniversário episcopal, eu estou a vivê-lo nesta tripla dimensão e vivê-lo assim ajuda-nos a confiar mais em Deus, a olhar para as nossas fragilidades reconhecendo-as, temos de ser realistas”, referiu D. Manuel Quintas.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o bispo do Algarve afirmou que olha para o futuro “com confiança, independentemente das dificuldades, dos obstáculos, dos imprevistos”, daquilo que não está nos “programas pessoais e pastorais”.

“O espírito torna-nos capazes, dá-nos a capacidade para realizar aquilo que Deus nos pede, aquilo que Deus quer, e que o mundo nos pede também, que o mundo exige”, acrescentou.

O bispo do Algarve explicou também que olha para o passado “com gratidão” que está “sobretudo naquilo que Deus faz”, em cada pessoa e através delas, uma gratidão que “passa também para toda a diocese”.

Já sobre a atualidade, D. Manuel Quintas adianta que “olha para o presente sem o deixar de assumir” e de o assumir “intensamente, com paixão”, seja ele qual for.

Também este tempo de pandemia, este tempo de dificuldade, não dá para pôr fora do comboio que é o tempo, com todas as suas vicissitudes que é o mundo de hoje, que faz a sua história, que caminha e nós fazemos parte desta história. Portanto, viver o presente com esta paixão própria de quem se entrega àquela que é a sua paixão e vocação”.

Sobre a diocese, o bispo do Algarve assinala que a mobilidade de pessoas é uma “característica” desta região que obriga a Igreja a desinstalar-se e não tornar “estático, rígido, a ação pastoral” porque “exige sempre uma abertura renovada àqueles que chegam, àqueles que visitam, e àqueles que estão também”.

“O Algarve revela-se como uma sociedade muito cosmopolita, muito aberta. E é a única diocese que está rodeada de água de três lados, o Guadiana e depois o mar, e é, por estas características, também muito aberta do ponto de vista ecuménico. Há uma grande relação, mas já muito profunda, com a Igreja Anglicana, a Igreja Luterana e as Igrejas Ortodoxas também, sobretudo a nível da emigração que vieram para aqui”, assinalou, sobre uma Igreja e sociedade “aberta ao outro, à novidade do outro”, com “uma capacidade muito grande de tolerância, de aceitação da e de compreensão da diferença”.

Neste contexto, alerta também para as diferenças da “presença humana” na “geografia que é o Algarve”, com “o interior a caminhar para a desertificação”, que se nota “de maneira particular em quem visita as paróquias, as comunidades, os montes, há 20 anos”, e o litoral que “vai crescendo constantemente e não é fácil uma pastoral urbana tendo presente esta realidade e esta diversidade”.

“Vejo uma Igreja que constantemente nos obriga a estar atentos ao espírito”, afirmou D. Manuel Quintas na entrevista à Agência ECCLESIA em que aborda o início do ano pastoral 202/2021.

  1. Manuel Quintas, que pertence à Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), conta que “nunca” fez parte dos “sonhos ou dos projetos, viver as duas últimas décadas “sendo missionário como bispo”.

A ordenação episcopal foi no dia 3 de setembro do ano 2000, na Sé de Silves, onde por  “feliz coincidência” teve “a alegria, a graça e o dom” de presidir à Missa do 20.º aniversário da sua ordenação.

O início do ano pastoral na Diocese do Algarve vai estar em destaque na emissão do programa 70×7 (RTP 2), no próximo domingo, a partir das 07h30.

HM/CB/OC

Algarve: Bispo incentivou a «viver o presente com paixão e entusiasmo», nos 20 anos da sua ordenação episcopal

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