Algarve: Conselho Pastoral sublinha necessidade de formação e aposta no acolhimento

Assembleia diocesana sugeriu a nomeação de responsáveis de comunicação nas paróquias

Foto: Folha do Domingo/Samuel Mendonça

Faro, 07 jul 2026 (Ecclesia) – O Conselho Pastoral da Diocese do Algarve (CPDA) propôs que o programa de atividades do ano de 2026/2027 se foque em “aspetos que ficaram por concretizar” do plano atual, apostando na formação e acolhimento.

“Tendo em conta o que ficou por concretizar no ano pastoral, propõe-se que o próximo seja vivido como um tempo de retoma, consolidação e renovação pastoral, privilegiando propostas simples, concretas e capazes de fortalecer a vida das comunidades”, aponta o documento das conclusões da assembleia plenária, divulgado pelo jornal diocesano ‘Folha do Domingo’.

D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, apoiou a moção final e reiterou que as comunidades devem retomar aquilo que “não se conseguiu fazer ou concretizar, sem a tentação de avançar fazendo rutura”.

O memorando do CPDA elegeu a formação como a principal prioridade, exigindo investimentos urgentes nas dimensões “litúrgica, profética e caritativa”, com particular destaque para o entendimento da Missa, considerando que “a maioria dos paroquianos não entende nem fórmulas, nem gestos na celebração”.

O órgão diocesano considerou ser “importante desenvolver as “Missas explicadas” como modo de formar as comunidades” e sugeriu que a qualificação dos catequistas não se limite a ser uma “formação de conteúdos”, integrando também tempos de oração, de retiro e de adoração eucarística.

O acolhimento foi igualmente apontado como uma área deficitária: “Não basta chamar as pessoas ao serviço, é necessária uma formação séria para este serviço, até pelo impacto que este serviço possa ter na comunidade”.

Os conselheiros defenderam que este cuidado deve ser ampliado às secretarias paroquiais e ao “espaço digital com a colaboração de jovens”.

A comunicação nas paróquias mereceu críticas estruturais, com o CPDA a admitir que “muita da informação que vem da diocese ou da região pastoral é endereçada para o pároco”, gerando frequentemente um bloqueio de divulgação.

Para resolver este obstáculo de mobilização das comunidades, os leigos sugeriram a “nomeação de um responsável paroquial de comunicação ou criação de uma equipa” apta a “gerir, divulgar e atualizar a informação”.

O documento insiste também na “implementação e efetivo funcionamento dos Conselhos Pastorais paroquiais”, exigindo que estes organismos não sejam povoados apenas por fiéis convidados pelo clero, integrando membros “eleitos entre os próprios leigos”.

O memorando clarifica que o pároco, enquanto presidente da estrutura, deve “dar essa liberdade de ação e dinamização a quem convida, mas também deixar-se ser apoiado, aceitando com apreço, de modo positivo e construtivo este espaço sinodal”.

Para assinalar o final do triénio pastoral (que terminará com o lema “Perseverantes na oração”), o CPDA propôs a realização de uma peregrinação de “ação de graças” pelo episcopado de D. Manuel Quintas ao Santuário de Fátima.

OC

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