«Como é que é possível, entre seres humanos, chegar-se a este extremo?», questionou D. Manuel Quintas, sobre assassinato da religiosa

Silves, 20 set 2019 (Ecclesia) – O bispo do Algarve disse que existe intenção de introdução do processo de canonização da irmã Maria Antónia Guerra, da Congregação das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, assassinada a 8 de setembro, em São João da Madeira.

D. Manuel Quintas explicou que a religiosa portuguesa “dispensa de milagres porque foi fiel aos seus votos e ao seu compromisso”, considerada “quase uma mártir”, divulga o jornal ‘Folha do Domingo’ em informação enviada à Agência ECCLESIA.

Na homilia da Eucaristia a que presidiu em Alcantarilha, o responsável destacou que a irmã Maria Antónia Guerra “quis fazer bem também a alguém que tinha deixado a prisão há alguns meses, preso por tráfico, sequestro e abuso sexual” e foi assassinada a 8 de setembro, em São João da Madeira.

A Polícia Judiciária, através da Diretoria do Norte, identificou e deteve um homem pela prática do crime de homicídio qualificado de que foi vítima a religiosa de 61 anos, referindo em comunicado que “o detido, após ter conseguido atrair a vítima até ao interior da sua habitação, com o pretexto de lhe oferecer um café por esta o ter transportado na sua viatura até ali, referiu-lhe que com ela queria manter relações sexuais, o que foi recusado”.

“Conheceis algum animal irracional que faça isto? O que os animais não fazem é possível a pessoa fazer? Como é que é possível, entre seres humanos que deviam ser racionais, equilibrados, sensatos, ponderados, chegar-se a este extremo?”, questionou o bispo do Algarve.

D. Manuel Quintas contextualizou que a “popularmente e carinhosamente tratada por ‘irmã Tona’ “cuidava dos doentes” porque a sua congregação – Servas de Maria Ministras dos Enfermos – dedica-se a “cuidar dos enfermos, sobretudo quando os familiares não podem e, particularmente, à noite”.

“Passam a noite nas casas das pessoas para que aqueles que cuidam delas durante o dia possam dormir e descansar”, desenvolveu, acrescentando que a irmã Maria Antónia Guerra continuava a apoiar “muitos doentes”, mesmo estando “dispensada pelo seu instituto para tomar conta da mãe, já muito idosa e doente”.

Num artigo de opinião, o bispo do Porto lamentou o “bárbaro assassinato” da religiosa de 61 anos e assinalou que, “no mínimo, o martírio da ‘Irmã Tona’ tem muito de paralelo com tantas mulheres, de todas as idades, que, na defesa da sua honra e dignidade, acabaram por pagar com a vida a resistência ao agressor depravado”.

A Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal também condenou a “morte inesperada e violenta” da irmã Maria Antónia Guerra.

CB/OC

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