Bispo incentivou pessoas, movimentos e grupos à missão, que começa na disponibilidade de ser reevangelizado

Foto Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Faro, 23 out 2018 (Ecclesia) – O bispo do Algarve afirmou que “a Igreja existe para evangelizar”, explicou que o Ano Missionário “é para cada um” e pediu “condições exteriores e interiores” de se deixarem “reevangelizar”, na terra do beato Vicente de Santo António.

“Queremos acolher e celebrar este ano como uma oportunidade para assumirmos pessoal e individualmente este dever, para dar maior vigor missionário às nossas paróquias, às nossas comunidades, aos nossos grupos eclesiais, abrangendo todos sem exceção; Que ninguém se considere dispensado deste dever batismal”, disse D. Manuel Quintas, no Dia Mundial das Missões 2018.

Na Eucaristia, que marcou o início do Ano Missionário especial na Diocese do Algarve, o seu bispo afirmou que “todos os grupos e movimentos” devem interrogar-se sobre o modo como podem “ser verdadeiramente missionários”.

“Antes de pensarmos naqueles aos quais somos enviados, criemos as condições exteriores e interiores para nos deixarmos reevangelizar. O Ano Missionário é, antes de mais, para nós. Há muito a fazer neste Ano Missionário sobre nós mesmos”, desenvolveu.

Em Albufeira, terra-natal do missionário algarvio Vicente de Santo António, os católicos foram incentivados a “cultivar o sentido de pertença afetiva à própria comunidade paroquial” para que possam “ser Igreja em saída para as periferias urbanas e geográficas”, indo “ao encontro dos doentes, dos privados de liberdade que se encontram nas prisões, hospitais”.

“A Igreja existe para evangelizar. A Igreja somos nós. Os enviados, hoje, somos nós. E somos enviados a ensinar o Evangelho, ou seja, ensinar quem é a pessoa de Cristo, de modo a proporcionar o encontro pessoal com Ele”, explicou D. Manuel Quintas.

Hoje, realçou, não é “mais difícil” anunciar o Evangelho do que no passado, “são as dificuldades de todos os tempos” as que têm atualmente, sendo preciso “transmitir o Evangelho de um modo diferente”, mesmo com “menos” pessoas.

“Não digamos que somos poucos”, pediu o bispo do Algarve.

Na terra do beato Vicente de Santo António, “o missionário algarvio de maior expressão” realça o jornal diocesano ‘Folha do Domingo’, D. Manuel Quintas destacou que o seu testemunho “ecoa ainda hoje, de modo muito forte no coração da Igreja” e das pessoas.

Neste contexto, destacou o seu testemunho: “Presente na alegria, no entusiasmo, na coragem e no modo incansável de levar o Evangelho a todos, traduzido numa vida totalmente dedicada aos outros e que em muitos, como ele, culminou com o próprio martírio”.

Foto Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O missionário algarvio nasceu no Castelo de Albufeira, em 1590, foi ordenado presbítero em Lisboa, e partiu para o México onde se juntou aos frades Agostinhos e continuou a missão nas Filipinas e no Japão, onde sofreu o martírio em Nagasáki, em 1632, após nove anos “disfarçado de vendedor ambulante”.

“É ainda significativo que, como Igreja Diocesana, tivéssemos querido inaugurar o Ano Missionário neste lugar onde evocamos a ação de Deus na vida de Vicente, mártir missionário, nascido nesta terra e cristão da nossa diocese”, disse junto à estátua do beato, para onde seguiram depois da Eucaristia.

D. Manuel Quintas contextualizou que o Ano Missionário especial, convocado pela Conferência Episcopal Portuguesa, surgiu da intenção do Papa Francisco em “estimular a Igreja toda para esta dimensão missionária” e a instituir um mês missionário extraordinário, em outubro 2019, pelo centenário da Carta Apostólica ‘Maximum Illud’, do Papa Bento XV, no ano a seguir ao fim da Primeira Grande Guerra Mundial.

CB

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