Agrupamento de S. Luís de Faro do CNE cria projecto nacional de voluntariado

O Agrupamento 1172 do CNE – Corpo Nacional de Escutas de São Luís de Faro está a preparar um projecto de promoção do voluntariado que pretende abranger o País todo e que deverá ser apresentado publicamente no próximo dia 5 de Dezembro, Dia Mundial do Voluntariado, numa conferência de imprensa organizada conjuntamente com a AMAL – Grande Área Metropolitana do Algarve e a Globalgarve, entidades que apoiaram aquela iniciativa desde a primeira hora. Em concreto, trata-se de uma plataforma na Internet que futuramente poderá ser acedida em www.solidus.pt (da origem do termo solidariedade) e que visa servir de ponto de encontro entre as instituições necessitadas de voluntários e aqueles agentes que pretendam encontrar quem queira acolher o seu serviço. Esta iniciativa foi concretizada ao abrigo de um protocolo formalizado em Dezembro do ano passado entre o Agrupamento de Escutas, a AMAL e a Globalgarve, e que posteriormente motivou a que os dois parceiros institucionais candidatassem o projecto a fundos comunitários no âmbito da REVOS – Rede Europeia de Voluntariado Social que visa dotar as administrações das metodologias apropriadas e ferramentas com vista à colaboração com organizações voluntárias no sentido de colmatar as suas necessidades. De início, o Solidus irá desenvolver-se prioritariamente ao nível do Algarve, mas dentro de um ano a organização espera ter o projecto alargado a nível nacional, contando o Agrupamento do CNE valer-se da estrutura nacional daquele movimento que servirá de apoio com as suas 20 estruturas regionais e 1000 estruturas locais (agrupamentos). Conforme explicou à FOLHA DO DOMINGO, José António Cruz, chefe dos Caminheiros (18-21 anos) do Agrupamento 1172 e principal impulsionador desta iniciativa, o projecto contará no Algarve com “um dinamizador para cada concelho”, estando também já a ser desenvolvidos contactos para haver igualmente “um dinamizador para cada distrito que por sua vez deverá formar uma equipa de pessoas para divulgar o site e angariar as instituições” em cada região, existindo já contactos com Lisboa, Coimbra, Açores e Madeira. Confirmando a adaptabilidade do projecto ao que possa acontecer no futuro, aquele responsável ressalva que “a estrutura que está criada está feita de forma a funcionar só com o Algarve ou com os 20 distritos”. Presentemente, adianta José António Cruz, está já constituída a Comissão Executiva, composta por 12 elementos, que depois de nomeada pela direcção do Agrupamento, irá fazer a gestão de todo o projecto. Entre os membros contam-se dirigentes do CNE, não só agrupamento de São Luís, mas mais de metade não são escuteiros, até porque “este é um projecto completamente aberto à sociedade civil”, como faz questão de frisar aquele responsável. “É uma equipa polivalente com pessoas da área financeira, jurídica, da acção social, economia e marketing, oriundas do Algarve e de Lisboa”, complementa aquele dirigente do CNE. Pessoas que oferecem os seus serviços de uma forma completamente voluntária e gratuita, não comprometendo o próprio espírito do projecto, também ele “completamente gratuito”. Por outro lado, José António Cruz, testemunha já a adesão à iniciativa de jovens escuteiros de Albufeira, Faro e Olhão, mostrando-se também confiante que a Junta Regional do Algarve também o venha a fazer, assim como as restantes 19 Juntas Regionais do País. Procurando explicar a funcionalidade do sítio, José António Cruz refere que ambos, instituição e voluntário, terão de fazer a sua inscrição na plataforma on line. “O voluntário poderá contactar directamente a instituição e verificar o que é que aquela necessita, de acordo com os seus anúncios publicados, e a própria instituição terá também acesso à base de dados dos voluntários inscritos, de acordo com as suas opções, podendo fazer pesquisas por sectores (concelhos, especialidades, etc), sendo igualmente possível contactar via e-mail os voluntários”, esclarece. O dirigente do CNE salvaguarda ainda que, por uma questão de “protecção de dados”, o voluntário inscrito não saberá quem são os restantes voluntários. Segundo aquele responsável, uma das inovações desta plataforma será mesmo a possibilidade de publicação de anúncios por parte das entidades que vão recrutar a mão-de-obra. “Em vez de apostarmos numa lista de instituições apostamos em anúncios. Convidamos as instituições a colocar um anúncio (que desperte a atenção do voluntário) que terá a duração de acordo com as suas necessidades”, concretiza José António Cruz, realçando que o objectivo do sítio é que os voluntários encontrem com facilidade aquilo que procuram. No caso dos anúncios, o contacto com os voluntários deverá ser feito pela administração do Solidus.pt, que reencaminhará a informação e os pedidos para os voluntários, seleccionados de acordo com a solicitação das instituições. As intenções de registo ou de publicação de anúncios terão de ser sempre validadas pela administração do projecto que garantirá assim a inspiração cristã do mesmo. José António Cruz salienta que este será o primeiro sítio de âmbito nacional e de iniciativa privada. “O que existe está ligado a institutos públicos e organismos do Estado, o que por vezes traz alguns problemas por serem projectos sujeitos à vontade política de determinado Governo, condicionante que leva a que tenham mais ou menos desenvolvimento e que, infelizmente, conduz a que alguns dos sítios acabem mesmo por ficar um pouco parados”. No caso do Solidus, “a ideia surgiu a partir de uma necessidade, no âmbito do clã (grupo de Caminheiros) do Agrupamento”. “O lema principal da IV secção é precisamente servir e este é por vezes um problema que os jovens encontram: servir, mas onde e com quem?”, constata o chefe escutista, lembrando as dificuldades que encontraram para saber onde é que poderiam ser úteis. “Somos defensores da importância de servir e do serviço, mesmo até para o nosso próprio crescimento pessoal, mas de um serviço útil. A necessidade surgiu a partir daí e pensámos da utilidade em haver um sítio na Internet que facilitasse este ponto de encontro”, justifica. O Solidus.pt será composto ainda de um espaço destinado a testemunhos, galeria de fotos e um fórum para troca de experiências. Haverá ainda informação complementar como notícias sobre voluntariado. Hugo Costa e Bernardete Spencer, dois dos membros do clã do Agrupamento, respectivamente de 20 anos e 17 anos, testemunharam à FOLHA DO DOMINGO o entusiasmo com o desenvolvimento do projecto. “Achámos uma boa iniciativa. Logo quando a ideia surgiu ficámos um pouco intimidados, mas fomos para a frente”, recorda Hugo Costa. Bernardete Spencer referiu-se ao empenho dos Caminheiros apesar de se tratar de um “projecto ambicioso”. “Como o nosso lema é servir queríamos ter mais facilidades em servir e encontrar instituições onde pudéssemos realizar a nossa missão”, justificou. Embora o sítio na Internet seja a principal característica deste projecto, o Solidus não se limita apenas a ela. De acordo com José António Cruz, a promoção da formação na acção social será também uma preocupação. “Pretendemos organizar alguns cursos também, pois sabemos que a formação para voluntários é feita, mas de uma forma dispersa, sem um modelo consistente ou um plano de formação; com as diversas instituições a fazerem formação de coisas completamente diferentes”, considerou, manifestando o desejo de o Agrupamento “colaborar no sentido de tentar fazer com que o modelo de formação seja semelhante e de criar cursos de acordo com as necessidades existentes”. Por outro lado, os escuteiros da paróquia de São Luís pretendem simultaneamente, numa outra frente, “sensibilizar as empresas para o voluntariado”. “Queremos desenvolver esta cultura do voluntariado muito comum e enraizada nos países nórdicos e menos nos países do Sul, nomeadamente em Portugal”, explica o dirigente do CNE, garantindo a vontade do Agrupamento de “encontrar caminhos para articular com o Ministério da Educação determinadas acções que possam ser possíveis com os estudantes e jovens”, com vista a que haja um “aproveitamento não só dos cidadãos mais idosos, com mais disponibilidade, mas também dos mais jovens, que de uma maneira geral são muito receptivos”. Ao nível das parcerias, José António Cruz destaca ainda a indispensável colaboração com a diocese do Algarve, com as suas paróquias que reconhece fazerem “um trabalho na acção social bastante importante” e com a Caritas Diocesana. “Espero que se possa através desta ferramenta arranjar pessoas para contribuir nesse trabalho”, confessa. Em síntese, aquele responsável testemunha a vontade do Agrupamento 1172 de querer “passar uma mensagem positiva, de acção, de que todos podemos ajudar alguém que às vezes está bem perto”. Apesar deste ser um projecto ambicioso que ficará sedeado em Faro, José António Cruz não teme pelas dificuldades que o mesmo possa trazer ao Agrupamento. “Temos crescido de forma sustentada e o projecto, apesar de ter a cobertura do nosso agrupamento, acaba por ser um pouco autónomo e não vai interferir directamente com o nosso funcionamento”, considera. No dia do lançamento, para além da divulgação do Solidus, os Caminheiros irão comemorar o Dia do Voluntariado, também com uma acção de serviço nas irmãs Missionárias da Caridade, com quem já colaboram com regularidade há 2 anos.

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