«As questões que se levantam na falta de vocações e na formação dos novos sacerdotes são complexas e devem ser debatidas» – Padre Hélder Miranda Alexandre

Angra do Heroísmo, Açores, 15 set 2021 (Ecclesia) – O Seminário Episcopal de Angra, nos Açores, vai começar o ano letivo 2021/2022, a partir de 21 de setembro, com 14 seminaristas, sem novas entradas de alunos, e com a formação de diáconos permanentes e sacerdotes recém-ordenados.

“A pandemia veio trazer novas questões desde os funerais solitários ao acompanhamento das famílias enlutadas ou a morte de jovens, que são questões muito pertinentes na vida de um padre. Dar-lhes ferramentas adequadas para lidar com estas situações é fundamental”, disse o reitor do seminário sobre a formação aos novos sacerdotes.

Os nove padres ordenados nos últimos dois anos na Diocese de Angra vão estar no seminário para aprofundarem a formação pastoral na área do luto, de 21 a 23 de setembro, informa o portal ‘Igreja Açores’.

Este são os primeiros sacerdotes obrigados a cumprir dois anos de formação permanente, “frequentando três períodos de formação por ano”, e o padre Hélder Miranda Alexandre assinala que é “um momento de reencontro e de partilha” para que não percam o “sentido de comunidade que, às vezes, nos afazeres do dia-a-dia, pode perder-se”.

O ano letivo 2021/2022, no Seminário Episcopal de Angra vai começar também, pela primeira vez, com o curso sistematizado de quatro anos para a formação de diáconos permanentes.

“Vamos fazer o que já se faz noutras dioceses, um trabalho em que o nosso bispo se tem empenhado e vamos ter oito candidatos, a maioria de São Miguel”, explicou o reitor, sobre a formação online que tem previsto “momentos de encontro presencial”.

O padre Hélder Miranda Alexandre salienta que os futuros diáconos permanentes são pessoas com “experiência de vida, bem formada, com estabilidade” e acredita que vai ser uma experiência e um projeto que “pode dar muitos frutos”.

“Estou otimista com esta iniciativa pois embora ainda tenhamos muitos padres nos Açores é preciso encontrar lugar para o diaconado; os diáconos são muito importantes na ajuda que podem dar na celebração da palavra e na caridade”, acrescentou.

As aulas no seminário diocesano de Angra vão começar com 14 estudantes – das ilhas de São Miguel, Terceira, Faial, Pico, Flores e São Jorge – em diversos anos académicos, no próximo dia 22, sem entrada de alunos novos, “que é uma notícia triste”.

“É a primeira vez desde que sou reitor que não há entradas, mas essa situação também pode ser uma oportunidade para refletirmos e fazermos com a que a diocese se envolva mais na pastoral vocacional: O trabalho não é nem pode ser só do seminário”, desenvolveu o responsável pela casa de formação, adiantando também que no final deste ano letivo não vão ter nenhuma ordenação nova.

“É preciso pensar no amanhã; Todos os dias nos pomos em causa para melhorar. As questões que se levantam na falta de vocações e na formação dos novos sacerdotes são complexas e devem ser debatidas, mas os problemas que temos nos Açores são transversais”, acrescentou, divulga o sítio online ‘Igreja Açores’.

O reitor do Seminário Episcopal de Angra explica que o acompanhamento dos jovens candidatos ao sacerdócio “tem de ser muito sério e personalizado” para despertarem “sentido de comunidade, uma sólida formação humana, pastoral e científica”.

CB

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