Capa é oferecida, em 2020, por família de emigrantes nos EUA

Ponta Delgada, Açores, 14 mai 2020 (Ecclesia) – O reitor do santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, cónego Adriano Borges, disse à Agência ECCLESIA, que se sente “uma enorme tristeza e um enorme vazio” perante o cancelamento das festas devido à pandemia, mas deixa a palavra “esperança” para todos os açorianos. 

“Uma enorme tristeza e um enorme vazio, aqui dentro e no campo de São Francisco, nesta altura encontra-se vazio, não há luzes, não há cheiro a festa e estes aspetos exteriores, deste vazio, que se manifesta aquilo que é a alma dos açorianos, os que cá residem até aos que estão no estrangeiro, sente-se um enorme vazio, algo que falta”, afirmou. 

O cónego Adriano Borges referiu que a festa “começou há cerca de 320 anos”, devoção trazida “da sua terra natal” pela Madre Teresa da Anunciada e mantém o desejo da “imagem voltar à rua” ainda este ano. 

Mantém-se o desejo da imagem voltar à rua, vai depender da evolução da situação aqui na região, quando houver segurança possível faremos não a festa, este ano fica marcado porque não há festa, haverá uma celebração especial ao Senhor Santo Cristo dos Milagres e a imagem sairá à rua, com certeza”. 

Devido à pandemia, foram canceladas as festas que começariam esta quinta-feira, “o momento mais importante” para a vida do santuário, que começa a ser preparado em janeiro.

Ainda neste primeiro dia é sempre apresentada a “história da nova capa que cobre o busto do Senhor Santo Cristo nos dias da festa”, este ano, apesar da festa suspensa, já há uma nova capa. 

“Este ano a capa é oferecida por uma família, natural de São Miguel, mas o senhor há quase 50 anos emigrante nos Estados Unidos da América, e não vamos deixar que o senhor cumpra a sua promessa, por isso o Santo Cristo terá colocada esta capa nos ombros”, explica. 

O sacerdote adianta ainda que para os açorianos “espalhados pelo Mundo, nomeadamente Canadá, EUA e Brasil, mas também os espalhados no continente e Europa, estas festas tinham um sabor especial”.

“Muitos viriam cá à nossa ilha, não o podem fazer mas muitos irão acompanhar as circunstâncias da festa; todos os anos recebemos imensa correspondência, correio ou via eletrónica, ainda há um mês tinham esperança que a festa se pudesse realizar, que o espaço aéreo fosse aberto mas, era impossível, esta é uma circunstância anormal e as decisões foram anormais, especiais para esta altura”, afirma. 

Outra coisa apresentada neste dia é a corda que envolve a imagem, que tem cerca de 300 anos e, neste ano, “iria ser apresentada uma nova, que vai passar a ir nas procissões e estará na imagem nos dias mais importantes”.

Toda a zona envolvente ao santuário estaria por estes dias “cheia de azáfama, com pessoas vindas em romaria de toda a ilha, para a festa”. 

A festa tem o ponto forte no tríduo de celebrações e culmina no domingo com a Eucaristia, que este ano iria ser presidida pelo cardeal D. José Tolentino Mendonça, “ilhéu da Madeira e que confessou que a sua mãe sempre teve grande devoção ao Santo Cristo”. 

Para o cónego Adriano Borges ficam as recordações destes dias de festa, a promessa de trazer a imagem à rua e a “palavra esperança”.

Do convento da esperança que falo, deixo a palavra esperança, por ser a mais forte para todos nós, esperança em tempos melhores, em novamente estar juntos, com familiares e com quem mais gostamos e essa esperança também é das palavras mais fortes do cristianismo, essa pedra de toque, para que um dia possamos voltar aqui a rezar junto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres”.

Este domingo, dia que a imagem sairia para a procissão solene e para a missa campal no Campo de São Francisco, vai ser celebrada uma missa que terá transmissão pela RTP Açores, Canal 1 da RTP e RTP Internacional a partir das 09h30, hora dos Açores.

A conversa com o reitor deste santuário é mote para o programa de rádio ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública, este domingo,pelas 06h00, ficando depois disponível online.

SN

Partilhar:
Share