Açores: Mosteiro das Clarissas é um lugar de «indulgência plenária» no Ano Jubilar Franciscano 

«A oração e a santidade de vida é a nossa forma de presença e é o que temos para oferecer à Igreja e aos irmãos» – irmã Maria do Rosário

Angra do heroísmo, Açores, 25 jun 2026 (Ecclesia) – O Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês, da Ordem de Santa Clara (Clarissas) nas Calhetas, o único mosteiro de clausura na Diocese de Angra (Açores), está a celebrar o Ano Jubilar Franciscano e quem visitar a capela pode receber indulgência plenária.

“A clausura não é uma barreira física; pelo contrário, é um espaço que favorece a escuta da presença de Deus e essa escuta leva-nos à comunhão, a acolher os nossos irmãos”, disse a secretária da comunidade de Clarissas em São Miguel, citada pelo portal online ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.

“Todo o sofrimento da humanidade é acolhido no nosso coração e levado para a oração. O nosso carisma é atual porque estamos a prolongar a comunhão que Jesus tinha na oração”, acrescentou a irmã Maria do Rosário, que é natural das Calhetas.

O Papa Leão XIV proclamou um Ano Jubilar Franciscano pelos 800 anos da morte (trânsito) de São Francisco de Assis, até janeiro de 2027, “um tempo de graça convida à conversão, paz e fraternidade, com a concessão de indulgência plenária a quem visitar igrejas franciscanas”.

O Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês, da Ordem de Santa Clara de Assis também está a celebrar este jubileu e os peregrinos que visitarem a sua capela e cumpram as condições habituais estabelecidas pela Igreja – confissão sacramental, participação na Eucaristia e oração pelas intenções do Papa –, podem beneficiar da indulgência plenária – a remissão total das penas temporais devidas pelos pecados já perdoados em confissão.

Neste mosteiro da Ordem das Clarissas vivem cinco freiras, uma sexta religiosa está institucionalizada na Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição, que dedicam os dias à oração, à adoração e à intercessão, ao trabalho quotidiano na horta, no jardim e na criação de animais, e ainda produzem hóstias para as comunidades católicas do Arquipélago dos Açores, que contribui para o sustento da comunidade.

Foto: Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês – Clarissas

“O recolhimento é um contrassinal face ao ruído, ao consumismo, à dispersão e ao ativismo frenético do nosso século”. O silêncio interior e exterior é uma ferramenta essencial para a nossa saúde física, mental e espiritual”, referiu a secretária monástica, salientando que “é no coração de Jesus” que encontram “o silêncio, a comunhão, o amor ao próximo e todas as virtudes” que procuram viver, porque “a santidade constrói-se no dia a dia, cultivando e exercitando essas virtudes”.

O Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês recebe regularmente pedidos de oração das várias ilhas açorianas e de emigrantes espalhados pelo mundo, e observou que “as pessoas precisam de ser ouvidas”, muitas vezes desabafam com as Clarissas e saem aliviadas porque “encontraram alguém que as escutou com amor e compaixão”.

“Pergunto apenas o nome da pessoa e entrego esse nome aos pés de Jesus. Levar as pessoas aos pés de Jesus também é uma missão lindíssima”, adianta a irmã Maria do Rosário.

O mosteiro de vida contemplativa nas Calhetas de Rabo de Peixe (São Miguel) foi fundado oficialmente a 2 de janeiro de 1977, as religiosas regressaram após cerca de século e meio de ausência, por Clarissas da Madeira, e foi erigido a partir da antiga casa e ermida de Nossa Senhora das Mercês, também beneficiou da doação de terrenos por benfeitores; segundo a Diocese de Angra, a Ordem de Santa Clara teve um papel relevante no arquipélago, com vários mosteiros e conventos femininos franciscanos.

A irmã Maria do Rosário realça que “a oração e a santidade de vida” são a forma de presença das Clarissas e aquilo que têm “para oferecer à Igreja e aos irmãos”, lê-se no sítio online ‘Igreja Açores’.

Para a secretária da comunidade do Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês, uma das recomendações evangélicas mais inspiradora é “que a vossa linguagem seja sim, sim; não, não”, porque “muitas vezes” fala-se “demais, quando o mais importante é acolher e ouvir”, uma atitude de “escutar o próximo com atenção e deixar que o amor oriente palavras e ações”, porque ajuda “a olhar para os outros com misericórdia”.

Foto: Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês – Clarissas

Aos domingos, as Clarissas estão disponíveis para receber as pessoas que desejem conhecer ou conversar com a comunidade, entre as 15h30 e as 17h00, na sala de visitas; o atendimento na Roda Conventual, e através do telefone, realiza-se diariamente das 09h00 às 17h00.

Fundada por São Francisco e Santa Clara de Assis em 1212, a Ordem de Santa Clara, com regra aprovada pelo Papa Gregório IX, chegou a Portugal pouco depois da morte da fundadora, em 1254, a primeira comunidade instalou-se em Lamego, 1258, quando saiu o decreto a extinguir a vida religiosa em Portugal, em 1834, havia cerca de 100 mosteiros, atualmente são 13 comunidades no país.

CB/OC

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