D. Rui Valério afirma que «não se limitou a falar dos pobres», mas procurou «conhecê-los, escutá-los» e que fossem ouvidos

Lisboa, 12 ago 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa, que recebeu com “profunda tristeza” a notícia do falecimento de Eugénio Fonseca, recorda a “figura incontornável da ação social da Igreja em Portugal”, e a “testemunha perseverante” de uma caridade de “proximidade, compromisso e defesa”.
“O seu testemunho recorda-nos que a caridade não é apenas uma obra que realizamos, mas uma forma de olhar o outro e de habitar o mundo. Naqueles que sofrem, Eugénio da Fonseca soube reconhecer rostos concretos, histórias concretas, irmãos concretos”, escreve D. Rui Valério, por ocasião do falecimento de Eugénio da Fonseca.
“E levou consigo para a oração aqueles que encontrava no serviço quotidiano, deixando perceber quanto a proximidade aos pobres se tinha tornado parte da sua própria experiência de Deus”, acrescentou, na mensagem publicada na página da Diocese de Lisboa na internet.
Eugénio Fonseca, atual presidente da direção da Confederação Portuguesa de Voluntariado (CPV), que durante anos assumiu a direção da Cáritas Portuguesa e da Cáritas Diocesana de Setúbal, morreu aos 69 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória, esta quarta-feira, dia 12 de agosto.
Ao longo de décadas, destaca o patriarca de Lisboa, Eugénio Fonseca colocou as suas capacidades, a sua inteligência “e uma extraordinária dedicação ao serviço dos mais pobres e vulneráveis”, a sua “longa responsabilidade” na Cáritas Portuguesa e empenho no voluntariado “deixaram uma marca profunda na Igreja e na sociedade portuguesa”
“Não se limitou a falar dos pobres: procurou conhecê-los, escutá-los e fazer com que a sua voz fosse ouvida. Via na pobreza não uma fatalidade perante a qual nos devamos resignar, mas uma interpelação à consciência, à responsabilidade e à solidariedade de todos”, salienta D. Rui Valério, assinalando que a intervenção pública de Eugénio Fonseca foi, por isso, marcada pela “defesa determinada da justiça social, pelo apelo à responsabilidade coletiva e pela convicção de que o serviço aos mais frágeis pertence ao próprio coração da fé cristã”.
O patriarca de Lisboa, “neste momento de separação”, exprime a sua “proximidade e sentidas condolências” à família e amigos de Eugénio Fonseca, e “a todos quantos com ele partilharam tantos anos de serviço e compromisso”.
“Confio à misericórdia do Pai, a quem tantas vezes confiou os pobres que encontrou ao longo da vida. Que o Senhor o receba na sua paz e lhe conceda a alegria da Vida eterna”, concluiu o responsável diocesano, na mensagem publicada na página do patriarcado de Lisboa na internet.
Eugénio Fonseca exerceu a presidência da direção da Cáritas Diocesana de Setúbal entre 1987 e 2016; Em 1999, foi nomeado, pela Conferência Episcopal Portuguesa, presidente do organismo a nível nacional, mantendo-se no cargo durante mais de duas décadas, até 2020; Nascido em 1957, era natural de Setúbal e licenciado em Ciências Religiosas, pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.
CB
Igreja/Sociedade: Morreu Eugénio Fonseca, antigo presidente da Cáritas Portuguesa
