Arquipélago celebra o Dia da Região na segunda-feira de Pentecostes

Angra do Heroísmo, Açores, 01 jun 2020 (Ecclesia) – O bispo da Diocese de Angra assinalou este domingo, na solenidade de Pentecostes, o compromisso social ligado à devoção ao Espírito Santo, uma das marcas da espiritualidade açoriana.

Na homilia da Missa a que presidiu na Sé de Angra, D. João Lavrador destacou que só cristãos comprometidos e abertos à ação do Espírito podem lutar contra “os egoísmos e individualismos propostos no mundo”.

“Temos de ter a verdadeira consciência sobre o que nos identifica: não somos uma religião de lei, de norma ou de rito, uma religião de preceito. Nós somos verdadeiramente uma Igreja que faz a experiência do amor porque seguimos a Jesus Cristo que nos revela o Deus Amor e, por isso, pela ação do Espírito seremos arautos de uma nova humanidade, de uma nova criação”, afirmou, numa intervenção divulgada pelo portal ‘Igreja Açores.

Esta diocese – que tem em cada crente, em cada pessoa e em cada cidadão uma devoção especial ao Espírito Santo – tem de caminhar; temos de ser mais lúcidos, temos de saber bem quem é esta pessoa divina do Espírito Santo e do que ela implica em cada um de nós”.

Este ano, apesar das limitações impostas pela pandemia, algumas irmandades mantiveram parte das atividades que habitualmente caracterizam esta festa, nomeadamente as esmolas, que se materializam na partilha do pão, da carne e do vinho.

A Região Autónoma dos Açores celebra anualmente o seu dia na segunda-feira depois do Pentecostes, este ano com cerimónias pela com o discurso do residente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, a partir do Palácio de Santana, em Ponta Delgada; e da presidente do Parlamento açoriano, Ana Luís, a partir da Horta.

Na sessão evocativa do Dia dos Açores, Ana Luís destacou a importância do culto ao “Divino Espírito Santo” no arquipélago.

“Sejamos nós pessoas de fé, ou apenas de uma esperança inabalável, não podemos dissociar o culto ao Divino Espírito Santo da exortação dos valores que estão na génese do viver e do sentir das nossas gentes: a força, o saber, a resiliência, a partilha e, acima de tudo, a solidariedade”, declarou.

A presidente da Assembleia Legislativa Regional destacou que “a devoção ao Espírito Santo sempre esteve associada a momentos difíceis, a circunstâncias onde o medo e a incerteza dominavam” a população açoriana.

Já Vasco Cordeiro evocou os “os sacrifícios de muitos” neste tempo de pandemia, em particular as vítimas mortais da Covid-19.

“Evocamos o Dia dos Açores com a consciência dos sacrifícios de tantos e tantos que veem a normalidade das suas vidas perturbada, dos que veem a segurança do seu rendimento ou da sua estabilidade profissional ameaçados, ou os seus projetos, quantas vezes, fruto do labor de uma vida inteira, postos em causa”, referiu.

O presidente do Governo Regional convidou à celebração dos Açores, nesta Segunda-Feira do Espírito Santo, onde a população “se reuniria à volta da Bandeira e da Coroa, símbolos, não só da fé de muitos, mas, para outros tantos, um dos símbolos” da identidade local.

OC

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