Açores: Bispo de Angra afirma que Cáritas é «o nome que a Igreja dá ao amor de Jesus pelo próximo»

Celebração na igreja de Relvas, em São Miguel, assinalou dia da instituição e conclusão de semana repleta de iniciativas  

Foto: Cáritas Portuguesa

Angra, Açores, 09 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra (Açores) afirmou este domingo, na celebração do Dia Nacional da Cáritas, em São Miguel, que a instituição representa “o nome que a Igreja dá ao amor de Jesus pelo seu próximo”.

Na igreja da Relva, D. Armando Esteves Domingues destacou que a missão da organização vai além da ajuda material e procura transformar vidas através da dignidade, da integração e do amor, informa o portal Igreja Açores.

A celebração encerrou a Semana Cáritas, que ficou marcada pelo peditório de rua e por várias iniciativas em diferentes ilhas – uma gala no Faial, o lançamento do Movimento “Comunidades Vivas”, na Terceira, e a homenagem a Monsenhor Weber Machado, primeiro diretor diocesano da instituição.

O bispo diocesano lembrou que um dos mais longos diálogos relatados nos Evangelhos ocorre entre Jesus e uma mulher, a samaritana, e, inspirando-se nas leituras bíblicas do dia, observou que há “gritos fáceis de ouvir”, como os provocados por guerras ou por catástrofes naturais, que mobilizam rapidamente a solidariedade.

No entanto, segundo D. Armando Esteves Domingues, o Evangelho apresenta uma sede mais profunda.

Deus “faz-se mendigo da nossa atenção e do nosso amor”, pedindo “Dá-me de beber”, recordou o bispo, referindo-se ao encontro de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço.

De acordo com D. Armando Esteves Domingues, Jesus não condena a mulher, mas entra na sua verdade e revela-lhe uma sede interior que nenhuma realidade material consegue saciar: a necessidade de ser amada e de se sentir inteira.

Ilustrando a diferença entre assistência superficial e verdadeira transformação, o bispo de Angra relatou uma história humorística sobre um sem-abrigo chamado Santiago, que alternava entre momentos de aparente conversão e o regresso à vida na rua.

Segundo explicou, o episódio questiona as certezas fáceis e recorda que a mudança autêntica exige que a graça de Deus toque a verdade profunda de cada pessoa.

D. Armando Esteves Domingues sublinhou que Jesus não transforma a samaritana numa simples “assistida”, mas numa protagonista que, no regresso à cidade, anuncia aos outros aquilo que viveu, tornando-se testemunha do Messias.

Este exemplo, defendeu, inspira o trabalho da Cáritas, que procura não apenas ajudar, mas capacitar as pessoas para recuperarem a dignidade e o seu lugar na comunidade.

Neste âmbito, o bispo diocesano evocou experiências de transformação social e espiritual, como iniciativas de apoio a pessoas marginalizadas que se tornaram protagonistas e líderes em movimentos de renovação humana e cristã.

D. Armando Esteves Domingues aludiu ainda ao lema da Semana Cáritas, “O amor que transforma”, que considera que resume a missão da instituição: um amor inspirado no próprio amor de Jesus, capaz de transformar a indiferença em proximidade e de promover a dignidade de cada pessoa.

O bispo apelando a que todos respondam ao pedido de Jesus – “Dá-me de beber” – oferecendo tempo, atenção, bens e coração aos mais necessitados.

A Cáritas Portuguesa celebra o seu dia nacional no 3.º domingo da Quaresma, este ano a 8 de março.

LJ/OC

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