A carta do Papa Francisco dirigida aos  jovens de todo o mundo, «Cristo vive», a realização em Portugal da Jornada Mundial da Juventude e o problema dos abusos na Igreja em análise na entrevista semanal Ecclesia/Renascença.

Foto RR/Inês Rocha, Tomás Virtuoso

Lisboa, 12 abr 2019 (Ecclesia) – Tomás Virtuoso analisou em entrevista à Agência ECCLESIA e à Renascença os temas da carta do Papa aos jovens de todo o mundo e disse que os abusos na Igreja são a questão mais “danosa” na relação com os jovens.

“Arrisco mesmo a dizer que nenhuma outra [questão] é tão danosa para a relação de confiança entre os jovens e a Igreja como esta”, afirmou.

Tomás Virtuoso pertence ao Secretariado Internacional das Equipas Jovens de Nossa Senhora (EJNS), representou Portugal, com outros dois jovens, na reunião pré-sinodal que reuniu em Roma, em março de 2018, 300 participantes de todo o mundo para deixar propostas para o Sínodo dos Bispos sobre a juventude, que decorreu em outubro seguinte.

Na entrevista semanal à Agência ECCLESIA e à Renascença, Tomás Virtuoso disse que a questão dos abusos na Igreja não diz respeito apenas aos abusos sexuais, que “são o problema mais dramático”, nem são uma questão só de “padres, bispos e do Papa”.

“Também é uma questão nossa porque levanta desafios importantes à nossa vida: como é que eu como jovem, e nós como jovens católicos, e nos meios católicos, que cultura de poder é que temos? É poder como serviço, ou como dominação do outro?”, afirmou.

Tomás Virtuoso considera que os jovens têm de “recusar as vidas duplas”, “viver a vida com transparência, com simplicidade, sem duplicidade de discurso”.

Questionado sobre a realização da Jornada Mundial da Juventude em Portugal, Tomás Virtuoso considera que “é muito importante formar os jovens na consciência de que o servir é humilde e desinteressado”, que o encontro não pode ser uma ocasião para “ter mais um ‘quinhão de poder’” ou “mais notoriedade”, antes de “encontro com Cristo”.

As Jornadas têm de ser uma ocasião de cada um dos jovens poder fazer um encontro profundo na sua vida com Jesus e não ser um mero evento logístico, igual a qualquer festival de verão, onde as únicas coisas que interessam são resultados, indicadores e índices de produtividade ou de competência”, afirmou.

Para Tomás Virtuoso, é fundamental aproveitar os três anos e meio até às duas semanas em 2022, na Jornada Mundial da Juventude, para “um processo claro de conversão dos corações, das cabeças e das mãos, da capacidade de fazer coisas diferentes”.

O entrevistado considera que, com a realização da JMJ, “algumas coisas em Portugal terão de mudar” na relação da Igreja comos jovens e outras “terão de se manter”.

“As jornadas têm de ser uma ocasião de nos apaixonarmos mais pela Igreja e trabalharmos mais para alargarmos o coração da Igreja”, sublinhou.

Analisando a carta do Papa aos jovens ‘Cristo Vive’, Tomás Virtuoso disse que é “mais um passo” no caminho sinodal, escrito num “formato muito interessante”, onde o Papa faz “considerações teóricas” e interpela diretamente os jovens em aspetos concretos e linguagem direta.

Em entrevista à Agência ECCLESIA e à Renascença, Tomás Virtuoso considera que o capítulo IV da exortação pós-sinodal é “central”, porque indica que a afirmação “Cristo vive” traduz a mensagem que a Igreja tem de “relevante” para os “jovens de cada tempo”, diz depois formas de chegar a todos os jovens através de uma “pastoral popular juvenil”, que possa dar a capacidade não só de “fazer coisas”, mas pensá-las raiz.

A entrevista conjunta é emitida na Renascença entre as 13h00 e as 14h00 de cada sexta-feira e publicada nas páginas da internet da Agência ECCLESIA e da Renascença no mesmo dia.

(Ângela Roque, Renascença, e Paulo Rocha, Agência ECCLESIA)

PR

Abusos sexuais: «Nenhuma outra questão é tão danosa para a relação de confiança entre os jovens e a Igreja»

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