Abusos/Proteção de Menores: Futuro das Comissões diocesanas centra-se na prevenção e na criação de documentos comuns de orientação

Secretária da Equipa de Coordenação Nacional aborda próximos passos destas estruturas e fala do trabalho desenvolvido em Évora

Foto Agência ECCLESIA/PR

Lisboa, 21 abr 2026 (Ecclesia) – A secretária da Equipa de Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis afirmou que o futuro destas estruturas vai passar pela prevenção, depois de um trabalho inicial marcado pela investigação e estruturação.

“Daqui para a frente […] é centralizar na prevenção, no acompanhamento das estruturas, na receção a eventuais denúncias que possam aparecer, e numa lógica de criar confiança nas comunidades”, referiu Ana Barahona, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.

Fátima voltou a acolher, no passado dia 11 de abril, o encontro nacional das Comissões de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, em torno dos verbos “prevenir” e “cuidar”, onde se olhou para o futuro.

Ao longo dos últimos anos, a advogada conta que a experiência que foi sendo adquirida nestas estruturas levou à criação de profissionais “cada vez mais aptos” para poder acompanhar e prevenir casos de abusos sexuais na Igreja.

“Nesse sentido começámos a preparar planos de ação muito concretos, que podem ter um âmbito local, de acordo com as necessidades de cada diocese, ou que podem ter um trabalho em rede, que isso é que é o mais importante”, explicou.

Ana Barahona enfatiza a importância de dar continuidade a “lógica de encontros e de partilha de informações” e criar “documentos comuns de orientação”, com o intuito de evitar a repetição de tarefas que são necessárias em todo o lado.

“Se alguém já as desenvolveu evita que outros tenham que reinventar a roda”, salientou.

Membro da Comissão Arquidiocesana de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis de Évora, a advogada realça que estas estruturas são “livres”, indicando que os bispos têm sido “muito consistentes” na ideia de que cada uma delas tem recursos ao seu dispor e autonomia para investigar e acompanhar a vítima.

“O foco do Sr. bispo está sempre no apoio à vítima, sempre na defesa da vítima e portanto nós sentimos muito essa liberdade de propor, de avançar, de pedir meios e de chegar à população com o apoio dos nossos bispos”, sustentou.

As Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis foram criadas em 2019, por determinação do Papa Francisco, com a publicação da Carta Apostólica “Vos estis lux mundi” (Vós sois a luz do mundo).

Em Évora, Ana Barahona dá conta que desde que o processo começou o acompanhamento das vítimas faz através de uma “porta aberta”, tendo sido criado canais de denúncias, assegurando que profissionais têm os telemóveis “24 horas ligados” para receber denúncias.

“Houve no início uma grande espontaneidade e reação das pessoas, primeiro desconfiaram, depois começaram a confiar e depois começaram a telefonar. Houve estruturas de apoio às comissões diocesanas também e contratadas pelos bispos, pelas dioceses que ajudaram”, lembra.

Agora, a advogada descreve que, apesar de a aposta ser na prevenção, o fluxo de entrada de pedidos de apoio “já não é tão grande”, no entanto reitera que “a porta está aberta”.

“O canal de denúncia está a funcionar e as pessoas, eu acho que é telefonarem à mínima de suspeita, à mínima dúvida que tenham de que uma coisa não está a parecer bem, um funcionário de uma instituição, um senhor que esteja numa residência mais sénior que queixou-se, vamos telefonar, vamos perguntar”, encorajou.

Segundo Ana Barahona, “questionar é abrir a porta a que uma situação possa ser prevenida”.

Desde que a Igreja começou a fazer o caminho no combate aos abusos sexuais, a responsável admite que “estão a cair tabus” e as vergonhas começaram a desaparecer.

“Está a ser tudo substituído por uma grande consciencialização da necessidade de evitar que isto volte a acontecer e que isto não é aceitável”, disse.

LJ/OC

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