A Irmã Ghazia trabalha no único centro católico de livros no Paquistão

“Confiamos na oração…”

Os cristãos são uma minoria no Paquistão. De tal forma que existe apenas um centro católico de livros e multimédia em todo o país. É um espaço pequeno e discreto, da responsabilidade das Filhas de São Paulo. Uma delas é a Irmã Ghazia. A livraria já foi alvo de um ataque à bomba. O medo está presente no dia-a-dia, mas as irmãs resistem e a livraria continua aberta ao público…

É uma livraria católica. São livros editados pelas Paulinas. Mas, por estarem ali, expostos num espaço público no Paquistão, são muito mais do que isso. São quase uma preciosidade. Há apenas um centro católico de livros e multimédia em todo o Paquistão. Por uma questão de segurança não revelamos o local onde vive a Irmã Ghazia. De facto, o país é profundamente muçulmano. Calcula-se que 96% da sua população siga o Islão. Os Cristãos são apenas uma minoria. E muitas vezes, talvez mesmo por causa disso, têm sido alvo de grupos extremistas. A ameaça é permanente e nem a pequena livraria da Irmã Ghazia escapa à violência e ao terror. “Há alguns anos, a nossa livraria foi muito danificada por uma explosão”, lembra a irmã. “Apesar do perigo e da tensão, conseguimos reconstruir e continuar a nossa missão.”

O medo existe. Ninguém o nega. Mas haverá melhor forma de se lidar com o medo do que enfrentá-lo? Todos os dias, quando abrem as portas da livraria, as irmãs estão a dizer que nenhuma ameaça é mais forte do que a certeza da fé. “Não é fácil viver num país onde os Cristãos são alvo de violência, discriminação e perseguição”, explica a irmã. Ela abre-nos a porta de casa e diz entre sorrisos: “Salam! Este é o meu convento”. As irmãs já se acostumaram ao ambiente hostil. Sempre que pressentem que as coisas podem tornar-se particularmente tensas, as irmãs encerram a loja. E, se for necessário, existe uma saída de emergência…

 

Cinema móvel

Tudo ali é discreto, como se houvesse a vontade de não ferir susceptibilidades, como se os livros arrumados nas prateleiras, ou as imagens de santos arrumadas a um canto pudessem enervar alguém. Na verdade, ninguém se sente seguro. Os militantes extremistas não têm religião. Têm apenas ódio nas palavras, nos gestos, no olhar. Apesar do medo, a Irmã Ghazia continua a sorrir. Ela acredita no futuro e acredita no poder da palavra, no poder dos livros. “A formação cristã das crianças é importante para nós. Uma fé forte pode arrancar a nossa juventude da pobreza e conduzi-la para um futuro melhor”, explica. E depois acrescenta: “O nosso cinema móvel é uma óptima maneira de espalhar a Boa Nova e de inspirar”. Para as irmãs, o importante é levar a mensagem, falar de Jesus, espalhar a Boa-Nova. O cinema ambulante de que fala a Irmã Ghazia faz lembrar os projecionistas de antigamente que levavam os filmes até às aldeias, iluminando as noites com histórias carregadas de magia. A casa onde vive a irmã é um espaço alegre. “Com 9 irmãs e 11 candidatas, o ambiente na casa é sempre animado”, diz a irmã. Ali, “no convento”, como as irmãs chamam à casa onde vivem, todas partilham o mesmo sonho, a mesma vontade, o mesmo esforço. “Acreditamos na Graça de Deus e confiamos na oração”, diz, em nome de todas, a Irmã Ghazia. As ameaças dos extremistas estão presentes no dia-a-dia, mas as irmãs continuam a resistir e a livraria continua aberta ao público… “O nosso serviço e devoção são possíveis graças à ajuda de todos os nossos benfeitores e à Fundação AIS. Obrigada!” Ali, no Paquistão, naquela loja pequena forrada de livros, há um punhado de mulheres extraordinárias que não se deixam intimidar pelo medo. A livraria católica continua aberta ao público, graças a Deus…

Paulo Aido | bit.ly/Mulheres_Extraordinarias

 

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