Relatório da Fundação AIS revela o mapa-mundo da opressão aos Cristãos

Foto: Fundação AIS

Na mira dos terroristas

“Perseguidos e Esquecidos?” é um relatório produzido a nível internacional de dois em dois anos pela Fundação AIS. Tem como objectivo analisar as violações da liberdade religiosa contra os Cristãos em alguns dos países onde há descrições persistentes de abusos de direitos humanos. O Relatório foi agora concluído. O resultado é inquietante…

Inquietante, mesmo. Em África, a situação piorou em todos os países sob pesquisa, com provas de um grande aumento de violência genocida por parte de grupos armados, incluindo jihadistas. No Médio Oriente, é a própria sobrevivência das comunidades cristãs no Iraque, na Síria e na Palestina que está em causa. Na Ásia, o autoritarismo do Estado tem sido o factor crítico na opressão contra os Cristãos na Birmânia (Mianmar), China e Vietname, entre outros países. Da pior forma, a liberdade de consciência e de religião continua estrangulada na Coreia do Norte. Mas a perseguição aos Cristãos é também um assunto inquietante em países como o Afeganistão, Índia ou Paquistão. No período em análise, de Outubro de 2020 a Setembro deste ano, assistiu-se nos 24 países em observação ao agravamento da perseguição aos Cristãos. É o que se passa na Coreia do Norte, China, Índia e Birmânia. Aí, constata o Relatório da Fundação AIS, “a opressão aos cristãos aumentou”. Particularmente preocupante é a situação em África, “onde o extremismo ameaça comunidades cristãs outrora fortes”. A violência que se tem registado permite falar já em “possível genocídio”. Um dos países em análise é Moçambique, onde ataques sistemáticos por parte de grupos terroristas que reivindicam a ligação ao Daesh levaram já ao deslocamento de mais de 800 mil pessoas e à morte de mais de 4 mil. Particularmente grave é o que se passa na Nigéria. A Fundação AIS refere que o número de ataques aumentou acentuadamente nos dois anos em análise, havendo mais de 7.600 cristãos mortos.

“As balas enchiam o ar…”

O Relatório da Fundação AIS apresenta o testemunho do Pe. Andrew Abayomi, que estava a celebrar a Missa no Domingo de Pentecostes, a 5 de Junho deste ano, quando a igreja foi palco de um violento ataque na Nigéria. Foram momentos de pânico que dificilmente irá esquecer. “Enquanto as balas enchiam o ar, eu só pensava em como salvar os meus paroquianos.” Esconderam-se na sacristia. Houve tiros, explosões durante cerca de 25 minutos. Só quando os terroristas abandonaram a igreja foi possível compreender o que tinha acontecido. Foi um massacre. Houve, pelo menos, 40 mortos e largas dezenas de feridos. Eram todos cristãos. Diz o Pe. Abayomi que o mundo está a ser, de alguma forma, cúmplice destes terroristas. “Está a acontecer um genocídio, mas ninguém se importa”, diz o sacerdote. E esta é uma realidade que ocorre em muitos países. Não apenas na Nigéria. “Não são apenas os Cristãos da Nigéria que sofrem, mas os do Paquistão, da China, da Índia e de muitos outros lugares”, acrescenta o sacerdote. “Os cristãos são assassinados por toda a África, as suas igrejas atacadas e as suas aldeias arrasadas. No Paquistão, são detidos injustamente sob falsas acusações de blasfémia. Meninas cristãs são raptadas, violadas e forçadas à conversão e a casar-se com homens de meia-idade, em países como o Egipto, Moçambique e Paquistão. Na China e Coreia do Norte, governos totalitários oprimem os fiéis, controlando cada um dos seus passos. E, como este Relatório demonstra, a lista de abusos continua…” E será sempre assim se o mundo não se indignar. Como escreve o Pe. Andrew Abayomi, esta Igreja que sofre precisa de ajuda. “Mais organizações como a Fundação AIS precisam de denunciar a verdade do que está a acontecer aos cristãos em todo o mundo. De outra forma, seremos sempre perseguidos e esquecidos.” O repto está lançado. Agora é a nossa vez de agir. Ou ser cúmplice…

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

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