No pobre nordeste da Índia, a Igreja abraça os esquecidos da sociedade

Rani, a irmã da motorizada

Desde que recebeu a mota, a Irmã Shobka Rani nunca mais parou. Ali, na Arquidiocese de Guwahati, numa zona muito pobre, falta quase tudo. Até boas estradas. Mas agora, nas aldeias perdidas no meio da floresta, há um sobressalto sempre que se escuta, ao longe, o ronronar da motorizada da irmã. Ela é um verdadeiro anjo da guarda das populações mais pobres e esquecidas desta zona no nordeste da Índia…

A região é pobre e extensa. Em Guwahati, no nordeste da Índia, muitas pessoas vivem ainda no meio da floresta. Vivem em aldeias humildes cuja existência mal se nota até nos mapas. Vivem como que abandonados à sua sorte. São insignificantes. Mas não para a Irmã Shobka Rani. Esta mulher jovem, enamorada de Deus, gosta de se cansar ao serviço desses pobres que vivem no meio da selva. Cuida deles, olha por eles. Ama-os. Todos os dias, a Irmã Rani, da Congregação das Filhas da Divina Providência, faz-se ao caminho. Por ali, muitas vezes, não há estradas, apenas linhas de terra que serpenteiam no meio do verde. Esses atalhos levam-na até pequenas aldeias escondidas no nordeste pobre da Índia. É em Chhaygon, na Arquidiocese de Guwahati, que ela cumpre a sua missão. Graças à Fundação AIS, a irmã tem agora uma pequena motorizada azul. Tornaram-se inseparáveis. A Ir. Lilly Urakadan, a Madre Superiora, reconhece que agora é possível fazer mais em menos tempo. Visitar mais pessoas, ir a mais aldeias, levar a mais famílias a ternura de Deus. “Desde que a Ir. Shobka Rani tem a mota, conseguiu duplicar o número de visitas que faz às aldeias”, diz, com prazer, a Madre Superiora. “Estamos muito gratas pela vossa ajuda generosa. Todos os benfeitores podem contar com as nossas orações. Por favor, rezem por nós, para que possamos sempre anunciar ardentemente o reino de Deus através das nossas palavras e acções.”

Condições de vida

A Irmã Rani é uma irmã em movimento. Nas aldeias que visita, encravadas no meio da selva, falta quase tudo. Não há médicos, nem electricidade, nem esgotos… A maioria das pessoas não sabe ler nem escrever. São famílias que vivem de uma agricultura básica, de subsistência. Todas essas pessoas que as autoridades praticamente ignoram estão no centro das preocupações da Irmã Rani. Sempre sorrindo, ela não se intimida com os caminhos precários que tem de percorrer todos os dias na sua motorizada. É uma irmã em missão. Ela faz de enfermeira e médica, de professora e até de engenheira agrícola. A sua preocupação é dar melhores condições de vida às pessoas das aldeias. A educação das crianças é um dos problemas mais sérios. No meio da selva, onde falta quase tudo, não há escolas, nem professores, nem livros e cadernos. Que fazer? Criar uma escola para acolher as crianças das aldeias. São já cerca de 100 alunos. Vivem todas num internato onde aprendem que há muito mundo para além do que se esconde atrás das árvores da floresta. A motorizada azul da Irmã Rani já a levou várias vezes até à cidade, aos gabinetes das autoridades locais, para resolver problemas. É preciso insistir, e insistir… Ela desvaloriza o seu trabalho. Diz que vai apenas “dar um empurrão”. Um empurrão que já permitiu, no entanto, a iluminação de uma aldeia através da energia solar, a reparação de alguns caminhos mais agrestes, a ajuda em casos concretos de famílias em maior dificuldade. Nas aldeias perdidas no meio da floresta há agora um sobressalto sempre que se escuta, ao longe, o ronronar da motorizada da Irmã Shobka Rani. Ela é, de facto, um verdadeiro anjo da guarda das populações mais pobres e esquecidas de Guwahati…

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

Ao longo do ano passado, a Fundação AIS conseguiu dar às religiosas, sacerdotes e catequistas em todo o mundo um total de 266 automóveis, 119 motas, 266 bicicletas e 12 barcos para os ajudar no trabalho pastoral. Uma dessas motas foi entregue à Irmã Rani… Obrigado pela sua ajuda!

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