Os Bispos católicos do Haiti mostram-se preocupados com a situação de pobreza galopante e de insegurança que, apesar da chegada das forças estrangeiras, continua a causar violência, vinganças e ódio entre o povo haitiano. Este sentimento foi traduzido numa mensagem dirigida “A todos os nossos irmãos e irmãs no país ou no exterior e a todas as pessoas de boa-vontade”. A mensagem é um apelo a não perder a coragem, não cair no desespero, mas a reagir para construir racionalmente um futuro melhor. Os Bispos pedem “o restabelecimento da ordem, da segurança nas ruas e nas casas, a redução dos preços dos produtos de primeira necessidade, o transporte seguro de ajudas humanitárias, a reabertura das escolas e universidades, a busca da unidade apesar das divergências, a união de esforços para a reconciliação e a pacificação da nação, com o objectivo de levar o Haiti a um caminho de paz e prosperidade”. Os Bispos afirmam que a construção do país que todos sonham exige que cada um faça a sua parte e se empenhe em abandonar as armas, evitando tudo o que possa causar ódio, violência ou vingança. “Para reconstruir o nosso País, devemos retornar aos valores do diálogo e da tolerância, da verdade e da justiça, do perdão e da reconciliação, como também ao respeito de nossas instituições”, escrevem. A Mensagem se conclui com um apelo a tomar a estrada do futuro com decisão, evitando repetir os erros do passado: “O tempo de Quaresma – tempo de reflexão, de revisão de vida, de oração, e de conversão – convida-nos a uma verdadeira renovação: hoje, não fechemos nos nossos corações, mas escutemos a voz do Senhor”. A situação no país mais pobre da América tende agora a estabilizar. O novo primeiro-ministro haitiano, Gérard Latortue, formou na terça-feira um governo de 13 membros, três deles mulheres, composto por tecnocratas próximos da ex-oposição ao presidente deposto Jean Bertrand Aristide. 65% dos 8,1 milhões de haitianos vivem abaixo do limite de uma pobreza extrema. No final de Fevereiro, o director da Cáritas Haiti, Wilnus Tinus, tinha alertado a comunidade internacional sobre a alarmante situação de risco alimentar na qual se encontram quatro milhões de haitianos, ou seja, metade da população.
