«Não somos vistos como parceiros, mas como prestadores de serviços», lamentam organizações locais

Bruxelas, 05 set 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Europa publicou um relatório sobre a ação humanitária na Ucrânia, exigindo a criação de parcerias baseadas na “confiança, flexibilidade e responsabilidade partilhada”.
“Não somos vistos como parceiros, mas como prestadores de serviços, pois compram um serviço em vez de formarem parcerias com contratos adequados”, denunciou uma organização local citada no novo documento.
O estudo da instituição europeia sublinha que as associações de proximidade e as redes nacionais operam no terreno sob um grau de exposição muito superior, encontrando-se “entre as primeiras a responder” em áreas onde os atores internacionais enfrentam restrições de acesso.
A assimetria de poder entre os intervenientes foi ilustrada pelo desabafo de uma instituição ucraniana que referiu sentir-se tratada “como estafetas da Amazon”, contratada para assegurar o serviço da última milha, mas sem receber “a verdadeira propriedade dos projetos ou a confiança para fazer este trabalho como parceiros iguais”.
A ausência de financiamento para despesas estruturais constitui uma das principais denúncias recolhidas pela investigação, questionando um dos inquiridos “como pode uma organização funcionar sem um contabilista” perante a atitude de agências que “não querem pagar custos administrativos ou essenciais”.
O peso do conflito bélico sobre as equipas, que perdem familiares e enfrentam “níveis elevados de stress psicológico e esgotamento”, esbarra repetidamente na burocracia do sistema, com o documento a lamentar que o bem-estar dos funcionários seja frequentemente visto como “secundário em relação a rubricas orçamentais rígidas”.
A rede católica evidenciou que a tão debatida partilha de riscos nos teatros de guerra não pode ser reduzida a um processo técnico ou contratual, assumindo-se antes como “uma mudança mais ampla no sentido de reequilibrar o poder” entre quem apoia e quem atua no terreno.
As barreiras internacionais e o peso das auditorias sobrecarregam as instituições mais pequenas, clarificando a análise da Cáritas que a prestação de contas dos financiadores se “foca frequentemente mais em requisitos de relatórios complexos do que em demonstrar o impacto real” e a eficácia junto das populações em sofrimento.
A publicação deixa um caderno de exigências aos grandes doadores e agências intermediárias, instando-os a assumir o dever de cuidado e a incluir “normas mínimas e contextualmente relevantes de segurança física, psicológica e financeira” de forma direta nos acordos firmados com as entidades locais.
OC
