Padre Gabriel Romanelli participou por videoconferência no ‘Meeting de Rimini’, relatando que a cidade está «devastada» e que «a catástrofe não desapareceu de forma alguma»

Cidade do Vaticano, 25 ago 2026 (Ecclesia) – O pároco da igreja da Sagrada Família em Gaza, na Palestina, denunciou, esta segunda-feira, a situação “dramática” que se vive no território por causa da guerra e lamentou que o conflito tenha desaparecido dos meios de comunicação.
“A realidade deste pedaço da Terra Santa que é a Faixa de Gaza é terrível. Nem sequer se pode dizer que seja uma situação pós-catástrofe, porque a catástrofe desapareceu dos media, mas aqui ela não desapareceu de forma alguma”, afirmou o padre Gabriel Romanelli, citado pelo portal ‘Vatican News’, numa ligação com o ‘Meeting de Rimini’, que decorre em Itália.
O pároco relata que a cidade “está devastada” e que a catástrofe não desapareceu de forma alguma, salientando que ali “a luta é diária”.
Na intervenção, que integrou o encontro “Amar a Terra Santa”, o responsável pela paróquia católica da Sagrada Família deu conta que, apesar de os bombardeamentos já não serem tão intensos como antes, existem ataques mesmo no centro da cidade.
E a maioria dos cidadãos, todos, 2 milhões e 300 mil pessoas, precisam absolutamente de tudo. Gaza está devastada. É como um tsunami que destrói tudo e, depois, ninguém vai em socorro das populações atingidas”, partilhou.
O sacerdote adverte que a ajuda não chegou à cidade e que a “situação de emergência continua a agravar-se a cada dia que passa”.
“A maior parte da população vive em tendas ou nas ruas. O solo é arenoso e está misturado com água de esgoto. A maioria das pessoas nem sequer tem uma pequena fonte de energia”, descreveu.

O padre Gabriel Romanelli conta que a paróquia tem distribuído “água potável a mais de 400 famílias”, pela qual ainda se continua a ter que lutar.
“A nossa igreja foi construída sobre uma nascente ou uma cisterna de água; bombeamo-la a um preço exorbitante, porque cada litro de gasóleo para o gerador custa 10 euros. E não se trata do problema do Estreito de Ormuz, é o problema da guerra”, referiu.
Apesar da situação preocupante no território, o pároco da comunidade latina em Gaza destaca que há espaço para pequenos momentos de alegria.
Segundo o sacerdote, a população brica com a água não potável e “todos riem, até os adultos”: “Até eu e as freiras aproveitamos para tomar um banho. Parece uma loucura, mas a tristeza vence-se com a alegria, e a alegria do Evangelho é-nos dada por Jesus”.
“A última palavra não é a Cruz. A Cruz é uma palavra necessária, mas a palavra definitiva é a Ressurreição. E nós temos de viver este mistério pascal na vida quotidiana”, disse.
Em videoconferência, explicou também a decisão de permanecer em Gaza, apesar da Guerra, defendendo que “ficar era a resposta natural, tanto espiritual quanto humanamente”.
“Não é um desafio político. O pastor deve permanecer com seu rebanho”, frisou.
Assim, eu, como pároco, sacerdote e missionário, e da mesma forma os outros sacerdotes e religiosas, percebemos que a resposta era permanecer junto das pessoas; não podíamos abandonar as pessoas com deficiência, as crianças, as famílias e tantos outros que continuam a depender da nossa presença”, acrescentou o padre Gabriel Romanelli.
Além disso, o sacerdote afirmou que estas comunidades estão ali “por Jesus Cristo, para preservar a presença eucarística”.
“Engolir as lágrimas é o dever de quem ama; assim é a vida neste vale de lágrimas”, mencionou.
Embora a guerra persista, o responsável pela Paróquia da Sagrada Família em Gaza mantém a esperança.
“Estamos convencidos de que a paz é possível e de que a paz justa é necessária. Por isso, uma das formas de ajudar a comunidade palestiniana e a israelita é semear a paz, falar de justiça e convencer o mundo de que ‘Basta! Basta!’, porque é terrível ver vítimas inocentes de um lado e do outro. E tudo isto na Terra Santa, onde viveu Deus encarnado”, declarou.
A 47ª edição do ‘Meeting de Rimini’, do movimento Comunhão e Libertação, iniciou-se a 21 de agosto e termina a 26 do mesmo mês, com o tema “O amor que move o sol e as outras estrelas”, apresentando um programa com debates, exposições, apresentações artísticas, atividades culturais, torneios desportivos e eventos para os mais jovens.
LJ/PR
