Antiga ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social lembra que o ex-presidente da Cáritas nunca parou de inquietar os políticos para «fazer mais»
Setúbal, 17 ago 2026 (Ecclesia) – Ana Mendes Godinho, Responsável pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social nos XXII e XXIII Governos Constitucionais, afirmou que Eugénio Fonseca era um “permanente de alerta” para fazer mais no setor social e a normalização da pobreza
“Desde o primeiro momento em que o conheci, não parou de me inquietar, de exigir de mim que tinha que fazer mais… um permanente irrequieto no sentido de nunca aceitar nem normalizar a pobreza”, disse a antiga ministra Trabalho, Solidariedade e Segurança Social entre os anos 2019 e 2022 em declarações à Agência ECCLESIA.
Para a responsável da pasta governativa diretamente relacionada com as causas defendidas pelo antigo presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca foi um “permanente alerta” junto dos políticos para “nunca aceitar que a pobreza é uma fatalidade” e “permanentemente exigir dos políticos, da sociedade, que tivessem de fazer mais”.
“Diariamente, na altura então da pandemia, ligava-me permanentemente: faça isto, faça aquilo, está a acontecer isto…”, recordou Ana Mendes Godinho sobre a atenção de Eugénio Fonseca aos problemas sociais em Portugal.

Eugénio Fonseca faleceu no último dia 12 de agosto, aos 69 anos de idade, vítima de paragem cardiorrespiratória; as cerimónias fúnebres realizaram-se na manhã desta segunda-feira, dia 17, na Sé de Setúbal, seguindo o cortejo para o cemitério Nossa Senhora da Piedade, onde foi sepultado.
Ana Mendes Godinho lembrou que Eugénio Fonseca foi uma “pessoa de entrega e de missão, de uma vida completamente ao serviço dos outros”, de uma “generosidade brutal” e da afirmação “do que o mundo precisa neste momento”.
“A paz é disso que precisa. Dessa capacidade das pessoas se entregarem e perceberem que a vida só faz sentido vivida em função dos outros”, afirmou.
“Eugénio Fonseca é um expoente máximo disso, de entrega total, de uma vida ao serviço dos outros, em que colocava a sua vida em último lugar. E os outros estavam sempre em primeiro lugar”.
Referindo-se à homilia da Missa do funeral de Eugénio Fonseca, presidida pelo bispo de Setúbal D. Américo Aguiar, Ana Mendes Godinho lembrou o compromisso de não “ficar ao lado” dos problemas sociais, seguindo o exemplo do antigo presidente da Cáritas.
“Nós, católicos, cristãos, somos convocados para não aceitar nem ficarmos ao lado. Acho que essa é a mensagem principal que o Eugénio nos deixa e eu estarei aqui comprometida, sempre, a lembrar-me que ele estaria aqui a exigir que eu fizesse mais”, sublinhou.
Para Ana Mendes Godinho, Eugénio Fonseca é confirmação de que é possível a “esperança contra a desesperança”, na certeza de que “há muito a fazer” e que “resulta” apostar no combate à pobreza.
HM/PR
