Igreja/Portugal: Curso de Integração Missionária é um exemplo de «bom acolhimento», que facilita a integração»

«A maneira como a Igreja de Portugal recebe e acolhe aqueles que são chamados para trabalhar com o nosso povo, nas nossas comunidades, é altamente disponível e aberto» – D. Rui Valério

Foto: João Cláudio Fernandes; Curso de Integração Missionaria 2026

Fátima, 01 ago 2026 (Ecclesia) – O Curso de Integração Missionária (CIM), dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) em Portugal, terminou com avaliação positiva da equipa organizadora e dos participantes, e envia uma “mensagem acolhimento”, após cinco dias no Centro Missionário Allamano, em Fátima.

“Este curso é um exemplo de um esforço de acolhimento, e de bom acolhimento, que facilita a integração. Nós que estamos a lidar com este fenómeno do acolhimento aos imigrantes, e com muitas polarizações, também aqui queremos enviar uma mensagem”, disse o padre Eduardo Ferreira, da equipa que preparou o CIM, esta sexta-feira, em declarações à Agência ECCLESIA.

O missionário do Espírito Santo (Espiritanos) afirma que “não basta falar,” mas é preciso criar oportunidades para que as pessoas “possam ter uma integração, também que as respeite”, porque isso vai ser uma mais-valia “de muitas e muitas maneiras, se as pessoas estiverem, efetivamente, bem integradas”.

A segunda edição do Curso de Integração Missionária para estrangeiros ou para quem regressa a Portugal, realizou-se de 27 a 31 de julho, e terminou com “um balanço muito, muito positivo”, no Centro Allamano, em Fátima.

“O curso procurou abrir o leque de desafios que vão encontrar a vários níveis. Nós tocamos o aspecto da inculturação, também o aspecto de aprender a lidar com as suas próprias emoções, porque quem vem de um país diferente vai passar por momentos de deserto”, explicou o padre Eduardo Ferreira.

O sacerdote destacou do programa “um momento bonito sobre a História da arte em Portugal, a arte como púlpito”, a formação em liturgia, e os painéis dedicados a “aspetos práticos” como questões laborais, os impostos, a Segurança Social.

O presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, dos bispos católicos de Portugal, começou por sublinhar que o Curso de Integração Missionária, “antes de mais, é um ato de acolhimento”.

“A maneira como a Igreja de Portugal recebe e acolhe aqueles que são chamados para trabalhar com o nosso povo, nas nossas comunidades, é altamente disponível e aberto. E, ao mesmo tempo, acolhemos oferecendo alguns critérios, algum conhecimento da nossa cultura, da nossa eclesiologia, da nossa pastoral, da nossa piedade popular, da fé do nosso povo”, referiu D. Rui Valério à Agência ECCLESIA, sobre esta “ação profundamente missionária”.

“Gostaria de sublinhar a dimensão pastoral e eclesiológica que este curso possui: Todas as palestras estão orientadas para oferecer uma perspetiva de Igreja e de pastoral que está radicada no Concílio Vaticano II, ao mesmo tempo, uma Igreja que está aberta à dimensão missionária e uma igreja profundamente sinodal”, acrescentou.

O presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização assinalou ainda que este curso se realizar em Fátima “não é por acaso”, uma vez que “toda a fé do português, de uma forma mais distante, mais próxima, tem uma relação direta com Nossa Senhora”.

O CIM 2026 acolheu 37 formandos, de 11 nacionalidades, segundo o padre Eduardo Ferreira “um grupo muito jovem” que, com mais ou menos tempo em Portugal, têm o “grande desafio da integração na cultura portuguesa, na Igreja portuguesa, e em ambientes muito concretos”, do Alentejo a Trás-os-Montes, de Braga a Portalegre.

O missionário Espiritano ainda distinguiu do programa “um momento de sabores portugueses”, que não existiu na primeira edição do curso, em 2024, e que “foi particularmente importante, e inspirador”, o jantar volante de “petiscos” com “vários tipos de queijo, chouriço, presunto, as pataniscas, o caldo verde”, e contou com o músico Rão Kyao, aliando música tradicional com espiritualidade.

D. Rui Valério, que presidiu à Missa de encerramento do CIM, partilhou com os formandos duas palavras, “não tenham medo”, do Papa Leão XIV, e que foi pronunciada por São João Paulo II, e “na senda de Maria”: “Consagrai-vos, como Nossa Senhora se consagrou, a Jesus Cristo e ao Reino de Deus”.

CB/

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