Migrações: Bispos dos EUA condenam mortes e exigem reformas

«Poder do Estado deve ser sempre exercido dentro dos limites da lei moral», referem responsáveis católicos

Foto: Lusa/EPA

Washington, 21 jul 2026 (Ecclesia) – Os bispos norte-americanos condenaram a recente perda de vidas durante operações de controlo migratório, num documento divulgado esta segunda-feira.

“Os atos que diminuem ou desrespeitam a dignidade de qualquer pessoa ou grupo de pessoas nunca devem ser normalizados na nossa sociedade”, alertaram D. Daniel E. Garcia, presidente da Subcomissão para a Promoção da Justiça Racial e da Reconciliação da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB), e D. Brendan J. Cahill, presidente da Comissão para as Migrações.

Os responsáveis católicos emitiram uma reflexão pastoral conjunta perante o desfecho fatal das recentes abordagens de agentes federais da polícia de imigração (ICE).

A mensagem repudia a discriminação e sublinha que a “desumanização dos imigrantes” constitui um ataque direto ao valor da vida.

“O perfil racial, em particular, não só viola a dignidade dada por Deus, mas também inflige danos profundos”, precisaram os responsáveis da USCCB.

Segundo o texto, a prática de selecionar suspeitos com base na etnia fomenta o medo nas comunidades e aumenta o “risco de resultados injustos e até trágicos”.

Os representantes da Conferência Episcopal dos Estados Unidos reconheceram o papel legítimo das autoridades, sublinhando que “o poder do Estado deve ser sempre exercido dentro dos limites da lei moral”.

O texto exige a promoção de reformas significativas no sistema migratório que garantam a transparência e a prestação de contas.

A intervenção critica igualmente a “difamação dos agentes da autoridade”, rejeitando discursos que incitam ao preconceito e à violência.

A defesa dos direitos das minorias constitui uma prioridade para o episcopado norte-americano, que publicou em 2018 uma carta pastoral inteiramente dedicada ao combate contra o racismo.

O documento sublinhava que as atitudes discriminatórias representam um “pecado” institucional e estrutural que perpetua a injustiça e corrompe a sociedade.

OC

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