Camarões: Arcebispo denuncia prisões convertidas em «armadilhas mortais»

Jornal do Vaticano divulga mensagem de D. Samuel Kleda

Foto: Osservatore Romano

Cidade do Vaticano, 21 jul 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Douala denunciou as condições carcerárias degradantes nos Camarões, exigindo o fim das detenções secretas e da corrupção, numa carta pastoral dirigida às autoridades.

“As prisões camaronesas são armadilhas mortais”, alertou D. Samuel Kleda, equiparando os estabelecimentos penais do país a verdadeiros corredores da morte.

Numa intervenção divulgada pelo jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, o responsável católico descreve um cenário marcado por celas sem ventilação ou água potável, onde as taxas de ocupação chegam a ultrapassar os 500%.

“As pessoas desvanecem no nada porque são detidas em lugares secretos”, sublinhou o arcebispo camaronês, criticando o sequestro de cidadãos por agentes do Estado.

A mensagem refere que a degradação do sistema penal alimenta uma corrupção generalizada, gerando uma “economia da miséria” sustentada pelo pagamento de subornos para garantir a sobrevivência básica.

Segundo D. Samuel Kleda, esta realidade impõe uma justiça “a duas velocidades”, punindo exclusivamente os estratos mais pobres com a brutalidade e a negligência das instituições estatais.

O responsável adverte para a vulnerabilidade extrema das mulheres e das crianças obrigadas a crescer atrás das grades, abandonadas à “lei da selva” e à exploração.

A intervenção exige ao poder político a implementação de medidas alternativas à privação de liberdade, nomeadamente a aplicação de trabalho comunitário para infrações menores.

O arcebispo de Douala apela à solidariedade da sociedade civil para impedir que a nação africana se transforme num “cemitério dos direitos humanos”.

“O modo como tratamos o detido é um critério da nossa relação com Deus”, acrescenta.

OC

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