Eva Dias sublinha «relação umbilical» da instituição com a comunidade local

Cucujães, 14 jul 2026 (Ecclesia) – A gestora do património da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) destacou a ligação histórica entre o Seminário das Missões de Cucujães e a regra beneditina como motor da ação evangelizadora da instituição.
“A regra de São Bento, da oração e do trabalho, foi um legado desenvolvido pelos missionários da Boa Nova e continua até hoje “, referiu Eva Dias, em declarações à Agência ECCLESIA.
A historiadora recuou à fundação do antigo mosteiro de São Martinho de Cucujães (Oliveira de Azeméis) num período anterior à da nacionalidade de Portugal (século XII), para enquadrar o atual edifício.
Em 1139, o rei D. Afonso Henriques assinala Carta de Couto, passando o mosteiro a ficar “intimamente ligado ao processo de desenvolvimento da comunidade local”.
“O Seminário de Cucujães, no fundo, é decorrente deste mosteiro beneditino”, constatou a entrevistada, a respeito do único antigo edifício da Ordem de São Bento ainda pertencente à Igreja Católica, em Portugal.
O processo conheceu várias fases, em particular após a extinção das ordens religiosas, em 1834, quando a igreja passa a ser gerida por uma junta paroquial e o mosteiro fica mãos de particulares.

Em 1923, o espaço foi adquirido pelo padre José Vicente do Sacramento (1868-1933), dos Padres Seculares Portugueses, que o doou a D. Teotónio Vieira de Castro (1859-1940), chegando assim à posse da Sociedade Portuguesa das Missões Católicas, hoje SMBN, como sua sede administrativa.
“Toda esta herança material e espiritual dos beneditinos continua aqui em Cucujães e, no fundo, os missionários da Boa Nova foram os seus continuadores”, sublinhou a responsável.
O complexo edificado testemunha, segunda a especialista, uma interação ininterrupta com o desenvolvimento das populações locais.
“Há uma relação umbilical da comunidade de Cucujães, e quando digo comunidade de Cucujães, digo freguesia de Cucujães, paróquia de Cucujães, com o Seminário das Missões”, descreve Eva Dias.
A também diretora-adjunta da revista ‘Boa Nova’ sublinha que este legado não se circunscreve aos membros da SMBN, estando “disseminado pelos leigos”.
LS/OC
