«Se calhar devemos olhar para novos campos de missão que podem não ser geográficos», salienta o padre Amaro Ferreira, delegado da região de Portugal

Oliveira de Azeméis, 14 jul 2026 (Ecclesia) – A Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) está reunida na sua 15.ª Assembleia Geral, desde esta segunda-feira, em Cucujães, com a presença de delegados que trazem a realidade, os desafios e sonhos de regiões como Angola, Moçambique e Portugal.
“Em Portugal nós temos uma marca indelével, que é o facto de termos nascido cá, termos sido fundados pelos bispos portugueses, a pedido do Papa Pio XI. Hoje, qualquer instituto, qualquer congregação, qualquer movimento carece de pessoas, de juventude, mas o desafio é darmos este cunho missionário que a Igreja em Portugal sempre teve”, disse o delegado da região de Portugal da SMBN, em declarações à Agência ECCLESIA.
Inicialmente destinada a auxiliar o esforço missionário da Igreja em Portugal, a SMBN tornou-se internacional, nos últimos anos, o padre Amaro Ferreira lembra que o Papa Francisco dizia que a missão ad gente não é “se calhar para várias periferias”, e “Portugal hoje é um mundo missionário”.
“Tenho falado, em diversas circunstâncias da vida pastoral, a necessidade de termos um cunho missionário junto dos migrantes, daqueles que vêm de outros países, saber acolhê-los, saber integrá-los, sobretudo nas nossas comunidades. Penso que esse também poderá ser um bom desafio”, desenvolveu o coordenador do Departamento de Animação Missionária do instituto em Portugal.
“Se calhar devemos olhar para novos campos de missão que podem não ser geográficos”, acrescentou o delegado regional, afirmando que não podem viver para “preencher vagas de estruturas que haviam antes”, hoje, “a Igreja também não pode estar presa às estruturas, às geografias, a lugares”.
A Sociedade Missionária da Boa Nova está em Angola há 56 anos, com “uma presença muito ativa na evangelização” deste país lusófono, o seu delegado explicou que são poucos, mas no seminário têm “muitas vocações”, é “um fenómeno nacional, todas as dioceses têm várias casas de formação”, do seminário menor à Teologia.
“Angola, neste momento, tem sido a região com mais vocações”, destaca o padre António Sebastião Kusseta, começaram o ano com “23 seminaristas de Filosofia”, 15 no Seminário Maior e 12 no Seminário Médio, na SMBN acompanham os vocacionados “desde pequenos”, visitam as famílias, estão com os párocos, e com as congregações para que “garantam uma vocação boa segundo o discernimento da própria Igreja”.
O instituto missionário nasceu “para evangelizar”, neste país africano, segundo o entrevistado, trabalham na missão, dão catequese, têm a direção de paróquias, e assumem responsabilidades nas dioceses, “as dificuldades são a falta de pessoas”, porque que “Angola é um país grande”, a SMBN só está no litoral e as quatro províncias a leste “precisam de missionários”.
“O que queremos é que a Sociedade Missionária da Boa Nova cresça cada vez mais, a nível do mundo, mas que fortaleçam os campos de missão, em particular de Angola, porque nós precisamos de mais missionários, para termos um número de três membros para cada comunidade, o que é constitucional, mas também para conseguirmos abrir novas missões”, acrescentou o padre António Sebastião Kusseta.
O delegado angolano da SMBN revelou ainda que outra “preocupação” para esta 15 Assembleia Geral, em Cucujães, é que “cada um se entregue cada vez mais à missão, porque, às vezes, o que falta é essa entrega incondicional, seguindo os passos de Cristo”.
Em Moçambique “são cerca de oito missionários” Boa Nova, presentes em várias localidades como Maputo, Gaza, Pemba e Nametil, em Nampula, onde fazem “acompanhamento da pastoral”, e desenvolvem “várias atividades na área social”, como “jardins-infantis, e com os sonhos de desenvolver outros projetos”.
“Vamos encontrando alguns desafios na área social, na área pastoral, onde percebemos que ainda temos que trabalhar mais no sentido de difundir mais o Evangelho, mas que tem que ser com testemunho de vida, porque percebemos que a palavra do Evangelho, no sentido de espalhar, já se falou bastante”, disse o padre Constantino António Epalanga Hatende, à Agência ECCLESIA.

O delegado de Moçambique, que tem nacionalidade angolana, realça que traz “vários desafios” para esta assembleia eletiva, e explica que “a grande dificuldade é a questão da xenofobia”, nomeadamente na vizinha África do Sul onde “muitos irmãos moçambicanos estavam a trabalhar nas minas, regressam às suas terras e têm que recomeçar a vida”.
Segundo o padre Constantino António Epalanga Hatende, que espera partilhas sobre a forma de “acolher estes irmãos como Igreja”, outra preocupação dos Missionários da Boa Nova é o terrorismo na Província de Cabo Delgado, no norte do país, desde 2017, os sacerdotes da sociedade religiosa, “cuja finalidade é libertar este povo que está acorrentado, não tem voz, nem vez”, acolhem refugiados em casa e na igreja.
A SMBN, que vai celebrar o seu centenário em 2030, realizou a primeira reunião magna em Cucujães, no concelho de Oliveira de Azeméis, em 1964.
LS/CB/OC
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