UCP: «Prémio Margarida Abreu» não vai distinguir o potencial académico, mas alunos que «mostram que a fragilidade pode ser fonte de potencialidade»

Coordenadora da área científica de ciências sociais apresenta iniciativa, que tem o nome de figura que ajudou «na evolução da profissão do serviço social em Portugal»

Lisboa, 14 jul 2026 (Ecclesia) – A coordenadora da área científica de ciências sociais da Universidade Católica Portuguesa (UCP) afirmou que o “Prémio Margarida Abreu” vai investir nas novas gerações, distinguindo não o mérito, mas o caminho de alunos que mostram que a vulnerabilidade pode ser um motor.

“E o que é que pretende reconhecer? Percursos que sejam distintivos na área do serviço, mas também na sua própria vida. Repare, numa altura em que os prémios e as bolsas querem distinguir o mérito, nós não vamos distinguir a nota de quem entra, não vamos distinguir o potencial académico, que é válido, mas não é isso que queremos distinguir”, afirmou Ana Oliveira.

Em entrevista ao programa Ecclesia, transmitido hoje na RTP2, a responsável destaca que o prémio pretende acolher quem chega e valorizar características que a professora homenageada sempre quis prestigiar, isto é, percursos que “mostram que a fragilidade pode ser fonte de potencialidade e de olhar empático com o outro”.

“Quando pensámos em homenagear a Dra. Margarida, pensámos como é que o vamos fazer? Não faz sentido uma placa, não faz sentido uma estátua. O que é que faríamos? A pergunta foi o que é que ela gostaria? E a resposta foi quase imediata. Investir nas pessoas, invistam nas pessoas, investam nas novas gerações”, explicou.

O Prémio consistirá na atribuição anual de um apoio financeiro a um(a) estudante recém-admitido na Licenciatura em Serviço Social; os candidatos deverão submeter uma candidatura, sendo a seleção efetuada de acordo com os critérios definidos no regulamento do prémio.

Margarida Abreu, professora e colaboradora do Ministério da Educação, que trabalhou na Universidade Católica Portuguesa entre 1981 e 2003, faleceu este ano em maio, sendo caracterizada pela Faculdade de Ciências Humanas como uma “figura incontornável do Serviço Social em Portugal”.

“Eu diria que há pessoas que fazem parte da história e há pessoas que ajudam a construir a história. A doutora Margarida Abreu não foi apenas uma professora da Universidade Católica, faz claramente parte do grupo de pessoas que ajuda a construir a história”, referiu Ana Oliveira.

A responsável evoca a professora como “uma pessoa que atravessa a história” e “ajuda na evolução da profissão do serviço social em Portugal, marcando-o profundamente na sua identidade”.

A entrevistada lembra que Margarida Abreu “integra o Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa, por volta de 1950, nos tempos do padre Honorato Rosa” e é nessa altura que “começa, de facto, a influenciar” este setor, que na época ainda não entrava no Ensino Superior, “portanto ainda não era considerada uma licenciatura”.

“A grande pergunta que ela fazia sempre era que tipo de serviço social queremos construir, mas também muito com o foco na dignidade humana. Para isto ela era a coluna vertebral e ela sempre foi fiel a esse foco da pessoa, da pessoa na sua situação e foi isso que ela depois trouxe para a Universidade Católica”, recorda.

A coordenadora da área científica de ciências sociais da UCP salienta que a licenciatura naquela universidade foi também fruto do esforço de Margarida Abreu: “E, na verdade, o que é que ela trouxe de mais valia? O que ela trouxe de mais valia foi este olhar da dignidade da pessoa, mas não paternalístico, não assistencialista”.

Ana Oliveira realça que hoje a instituição académica é marcada pelo legado da professora de “olhar para uma formação que acompanha as transformações do mundo e que não quer apenas ser serviço social”.

Sobre a formação dedicada a esta área na UCP, a coordenadora da área científica de ciências sociais da universidade dá conta que esta ainda continua um bocadinho invisível, ressaltando que existem alguns mitos que precisam de ser desconstruídos.

“Nós, na Universidade Católica, neste momento estamos a fazer um investimento muito grande para que se perceba que esta formação é uma formação de base essencial e que pode, de facto, ser um trampolim para outras áreas profissionais, porque hoje sabemos que a formação não é exatamente a profissão”, disse.

“Parece-nos que é essencial, queremos mesmo formar pessoas que estejam à frente de organizações, à frente de gabinetes e empresas, que olhem para a pessoa como o centro. O colaborador tem que ser o centro da organização e da empresa”, acrescentou.

Ana Oliveira refere que desde o primeiro ano que os alunos estão no terreno, porque a universidade acredita que é na ação que se aprende.

“E depois a refletir sobre a prática e portanto é uma teoria fundamentada na ação, mas é uma ação que transforma”, indicou.

LS/LJ/OC

Igreja/Educação: UCP cria o «Prémio Margarida Abreu» para apoiar estudantes

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