Nota editorial alerta para «graves consequências» de ordenações episcopais sem mandato pontíficio

Cidade do Vaticano, 02 jul 2026 (Ecclesia) – O Vaticano publicou uma nota editorial sobre o novo cisma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), descrevendo a rutura como “uma história dolorosa” e um desfecho que ignorou oportunidades oferecidas por quatro Papas.
O texto, apresentado hoje pelo portal ‘Vatican News’, assinala que as ordenações episcopais ilícitas, realizadas a 1 de julho na localidade suíça de Écône, consumaram a separação de Roma “apesar das generosas tentativas dos santos Paulo VI e João Paulo II, da decisão de revogar a excomunhão tomada por Bento XVI e das faculdades concedidas por Francisco”.
A publicação avisa que o novo cisma tem “consequências graves” para todos os fiéis ligados ao movimento, reiterando que os sacramentos da Penitência e do Matrimónio celebrados pela FSSPX passaram a ser juridicamente inválidos.
A nota do Vaticano recorda a fundação do seminário de Écône em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e a sua rejeição frontal das reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II como “novidades destruidoras da Igreja”.
O editorial destaca a tensão vivida 1988, quando mons. Marcel Lefebvre recuou no acordo firmado em maio desse ano com o então cardeal Joseph Ratzinger para consagrar novos bispos, em conjunto com o bispo brasileiro António de Castro Mayer.
Esse ato, realizado a 30 de junho de 1988, desencadeou a excomunhão ‘latae sententiae’ (automática) dos envolvidos, que seria revogada mais de vinte anos depois, em 2009, pelo Papa Bento XVI, num gesto “ofuscado” pelas declarações negacionistas do Holocausto proferidas pelo bispo reabilitado Richard Williamson.
O historial de conversações inclui os diálogos teológicos de 2011 e a decisão inédita do Papa Francisco em 2016 de conceder, durante o Jubileu da Misericórdia, faculdades especiais aos padres da fraternidade.
A crise atual teve início em fevereiro de 2026, com o anúncio das novas sagrações episcopais agendadas, levando à convocação urgente do superior da FSSPX, padre Davide Pagliarani, a Roma.
O encontro com o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, a 12 de fevereiro, serviu para propor um novo percurso de debate teológico que clarificasse “os mínimos necessários para a plena comunhão”.
O Dicastério para a Doutrina da Fé publicou hoje o decreto de excomunhão dos seis envolvidos nas ordenações episcopais desta quarta-feira.
Uma declaração lida durante o rito de sagração pelo secretário-geral da FSSPX, Foucauld Le Roux, acusou os pontífices, desde o Concílio Vaticano II, de estarem “animados por um espírito contrário ao da Fé e agirem contra a santa Tradição”.
OC
Igreja: Santa Sé declara excomunhão de seis membros da Fraternidade São Pio X por ato cismático
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Em junho de 2012, a Santa Sé revelou que tinha proposto a criação de uma prelatura pessoal para a Fraternidade Sacerdotal, que esta viria a recusar. Entre as questões que separam as duas partes destacam-se a aceitação do Concílio Vaticano II (1962-1965) e do magistério pós-conciliar dos Papas em matérias como as celebrações litúrgicas, o ecumenismo ou a liberdade religiosa. A 19 de janeiro de 2019, o Papa Francisco suprimiu a Comissão Pontifícia ‘Ecclesia Dei’, estabelecida em 2 de julho de 1988 com o objetivo de “facilitar a plena comunhão eclesial” dos sacerdotes, seminaristas, comunidades ou de cada religioso ou religiosa ligados à Fraternidade São Pio X. As funções da Comissão estão confiadas atualmente ao Dicastério para a Doutrina de Fé. A 28 de janeiro de 2009, numa audiência pública, Bento XVI explicou a sua decisão de levantar as excomunhões aos quatro bispos ordenados em 1988 por mons. Lefebvre, sem mandato pontifício, falando num “ato de misericórdia paterna”. Em particular, o falecido pontífice falou na necessidade de um testemunho de “verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento pelo magistério e a autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II” para se promover a unidade na Igreja. Os bispos em causa eram D. Bernard Fellay, D. Bernard Tissier de Mallerais, D. Richard Williamson e D. Alfonso de Galarreta. |
