Évora: Diaconado «não deve ser considerado um estado temporário de acesso ao sacerdócio»

D. Francisco Senra Coelho presidiu à ordenação de dois diáconos no dia em que celebra 40 anos de sacerdócio e 12 de ordenação episcopal

Evora, 29 jun 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora presidiu hoje à ordenação diaconal de Francisco Novo e Manuel Godinho, afirmando que se trata de um “momento muito especial”, não enquanto “estado temporário de acesso ao sacerdócio”, mas como “permanente sacramento”.

“Este Ministério Ordenado e assumido não deve ser considerado um estado temporário de acesso ao sacerdócio, mas sim um verdadeiro e permanente sacramento, que perpetua a missão da Igreja. Nesse sentido, o diácono, inspirado pelo exemplo de Jesus, consagra toda a sua vida para ‘lavar os pés’ da comunidade e partilhar o pão da Palavra, que alimenta, traz vida e esperança”, afirmou D. Francisco Senra Coelho, na homilia da Missa.

A celebração decorreu na Sé de Évora, onde o arcebispo da arquidiocese lembrou que o rito de ordenação diaconal “manifesta a natureza e a missão do diácono”, afirmada desde os primeiros séculos da Tradição Apostólica.

“O diácono é aquele que ajuda a comunidade a traduzir a liturgia celebrada para a vida quotidiana, ocupando-se sobretudo com a necessidade dos mais pobres. O seu ofício fundamenta-se a partir do exercício da caridade, no qual ele se esforça para compreender a Palavra e a Liturgia a partir do ministério do serviço”, sublinhou o arcebispo de Évora.

Na celebração do dia litúrgico de São Pedro e São Paulo, D. Francisco Senra Coelho referiu o exemplo dos dois anunciadores dos primeiros anos do cristianismo, lembrando o testemunho da fé “pela firmeza” de Pedro e o “ardor missionário” de Paulo.

“Pedro confirma os irmãos (cf. Lc 22, 32); Paulo leva o Evangelho «até aos confins da terra» (At 1, 8). Ambos no fim, selam a sua entrega com o martírio em Roma: Pedro crucificado, Paulo decapitado”, afirmou.

O arcebispo de Évora referiu os “diferentes caminhos” de Pedro e Paulo, mas “uma só fidelidade”: “a  fé que Pedro confessa e Paulo anuncia é a mesma que sustenta a Igreja de todos os tempos”.

“Ambos nos ensinam que a fé verdadeira é sempre acompanhada de conversão e missão. Pedro, o pescador chamado a lançar redes novas; Paulo, o fariseu convertido em missionário universal. Em ambos, vemos o poder da graça que transforma o medo em coragem, a fraqueza em força, o pecado em santidade”, acrescentou.

Celebrar São Pedro e São Paulo é renovar a nossa comunhão com a fé apostólica. É recordar que a Igreja vive da mesma rocha, Cristo, sustentada pela sucessão de Pedro, e animada pelo mesmo Espírito missionário que inflama a Paulo”.

D. Francisco Senra Coelho presidiu à celebração de ordenação diaconal Francisco Novo e Manuel Godinho, em ordem ao sacerdócio, no dia em que celebra 40 anos de ordenação sacerdotal e 12 de ordenação episcopal.

D. Francisco José Villas-Boas Senra de Faria Coelho nasceu a 12 de março de 1961 em Maputo, Moçambique sendo os pais naturais de Adães, concelho de Barcelos na Arquidiocese de Braga.

O novo arcebispo frequentou o Liceu Nacional de Barcelos e o Liceu Sá de Miranda em Braga enquanto estava já no Seminário Conciliar da cidade minhota.

Em 1980 ingressou no Seminário Maior de Évora, onde concluiu o curso superior de Teologia, sendo posteriormente ordenado a 29 de junho de 1986 pelo então arcebispo de Évora, D. Maurílio de Gouveia.

Em abril de 2014, foi nomeado pelo Papa Francisco como bispo auxiliar de Braga; a ordenação episcopal decorreu a 29 de junho de 2014 na Sé de Évora e foi presidida pelo arcebispo D. José Alves; teve como co-ordenantes os arcebispos D. Jorge Ortiga e D. Maurílio de Gouveia.

No dia 26 de junho de 2018, o Papa Francisco nomeou D. Francisco José Senra Coelho arcebispo de Évora, sucedendo a D. José Alves, na diocese desde 2008.

PR

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