Especial: Vicentinos do Líbano e da Palestina sustentam população que está a perder «toda a esperança»

Responsáveis dos dois territórios retratam realidade do «sofrimento» por causa das guerras no Médio Oriente e pedem apoio da comunidade internacional

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Lisboa, 18 jun 2026 (Ecclesia) – A Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) no Líbano e na Palestina está a apoiar as populações dos dois territórios marcados pela guerra e pede apoio à comunidade internacional para continuar a fazer face às necessidades.

“Todos os dias, os nossos voluntários visitam famílias, prestam apoio aos idosos, distribuem ajuda alimentar, proporcionam apoio educativo e chegam até àqueles que perderam toda a esperança”, explicou o responsável da SSVP no Líbano, em declarações à Agência ECCLESIA, em Lisboa, no âmbito da Assembleia Geral internacional deste movimento.

Presidente da SSVP no Líbano, Naji El Kadooum

Naji El Kadooum afirmou que os vicentinos naquele território se esforçam “por ser a presença de Cristo entre os mais pobres e os mais vulneráveis”.

“Por vezes, a dimensão deste sofrimento excede a nossa capacidade de resposta e a necessidade continua a crescer enquanto os nossos recursos permanecem limitados”, lamentou.

A Sociedade de São Vicente de Paulo  está presente em todo o território libanês, através de 59 conferências.

O responsável explica que os vicentinos se deparam com situações em que gostariam “de fazer mais” pelas populações, mas os “recursos humanos e materiais já não são suficientes”.

É por isso que pedimos a todos que nos ajudem a resistir neste belo país. Rezem pelo Líbano, rezem pelas suas famílias e rezem para que a Obra de São Vicente de Paulo no Líbano possa continuar a sua missão”, apelou.

Naji El Kadooum descreve que o país enfrenta “um dos períodos mais difíceis da sua história recente”, com “aldeias inteiras destruídas” ou “gravemente danificadas”.

“Milhares de famílias foram obrigadas a abandonar as suas casas e encontram-se agora deslocadas por todo o país. Muitas perderam tudo: as suas casas, os seus bens e, por vezes, até os seus entes queridos”, lembrou.

A par do Líbano, também a Palestina, outra geografia devastada pela guerra no Médio Oriente, esteve representada no encontro internacional na capital portuguesa, através do presidente da SSVP neste território.

Ricardo Hani explicou que as cidades de Belém, Beit Jala e Beit Sahour, na Cisjordânia, dependem do turismo e da agricultura, que foram interrompidos devido ao conflito, bem como de “um carro especial para se deslocarem para o trabalho” e uma “autorização para trabalhar em Israel”.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ, presidente da SSVP na Palestina, Ricardo Hani

“Devido à guerra, não há turistas a visitar o país. Nada. Ninguém está a visitar o país. E a maioria das pessoas de lá depende do turismo. Trabalham em restaurantes, em hotéis, em todo o lado […] Agora, se não há turistas a chegar, eles ficam sem trabalho”, sustentou.

O responsável deu conta também que “a maior parte das terras agrícolas valiosas foi confiscada pelo governo” e até mesmo os locais onde as populações “podiam cultivar os seus próprios alimentos” lhes “foram tirados”.

O presidente da SSVP na Palestina referiu-se também à necessidade de “carros especiais” para entrar dentro das muralhas, para entrar em Jerusalém”, para trabalhar, o que nesta altura não é possível, por causa da guerra.

Como resultado disso, Ricardo Hani dá conta que o desemprego espalhou-se por todo o país, com as comunidades a deixarem de ter posses para comprar comida e medicamentos, salientando que a maioria das pessoas está doente.

“Devido a esta situação, começámos a enviar cartas a organizações, como a São Vicente de Paulo em França, para que nos ajudassem. Precisamos de uma ação imediata. Queremos, para começar, dar-lhes comida, comprar-lhes comida. […] Enviaram-nos algum dinheiro e conseguimos dar-lhes algo, mesmo que seja muito pouco”, contou.

O presidente da SSVP na Palestina agradece também ao conselho da América pela ajuda monetária que permitiu cobrir as despesas com alimentação e medicamentos.

“Há muitas pessoas doentes. Nem imaginam quantas pessoas estão doentes. E pagamos também o seguro delas. Elas precisam de um seguro, nós pagamos por elas e tentamos ajudá-las tanto quanto queremos. Na verdade, tanto quanto podemos”, disse.

Relativamente à educação, o responsável explica que a SSVP da Palestina tem ajudado a cobrir uma parte dos custos das propinas das escolas e das universidades da população afetada pela guerra.

“Este é mais um ponto que precisamos de resolver também num futuro próximo. E estamos a dar o nosso melhor para o fazer”, expressou.

À comunidade internacional, Ricardo Hani dirige um apelo em prol do povo palestiniano.

O que gostaria de dizer é que nem sempre pedimos dinheiro para ajudar. O dinheiro é apenas um meio, mas o que realmente queremos é que nos apoiem na realização de alguns projetos que beneficiem a Sociedade de São Vicente de Paulo na nossa cidade”, começou por dizer.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ, Assembleia Geral Internacional da Sociedade de São Vicente de Paulo

“Projetos que possam angariar algum dinheiro para ajudar aqueles que estão em situação de carência. Porque somos capazes de o fazer. Temos muitos projetos que ajudarão a maioria dos doentes, dos necessitados e daqueles que estão realmente em situação de carência”, declarou.

O responsável refere que a população da Palestina está em permanente oração para que um dia a paz se espalhe por todo o país, que acredita que será possível se houver amor, capacidade de entreajuda, de perdão.

A Assembleia Geral internacional da SSVP decorre em Lisboa até esta sexta-feira, reunindo representantes de 112 países para refletir sobre os desafios da missão vicentina e definir orientações para os próximos anos.

LJ/PR

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