Diálogo Inter-religioso: Papa incentiva Universidade Hebraica de Jerusalém a «formar artesãos da paz»

Leão XIV afirmou que «todos podem enriquecer os seus conhecimentos», num ambiente onde «o diálogo respeitoso é possível»

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 18 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa afirmou a importância das universidades como “locais de encontro”, na audiência ao conselho de administração da Universidade Hebraica de Jerusalém, que incentivou a “formar artesãos da paz”, esta quinta-feira, no Palácio Apostólico do Vaticano.

“Rezo para que, ao formar artesãos da paz, a comunidade universitária possa continuar a ser um farol de esperança e unidade num mundo cada vez mais dividido”, disse Leão XIV, no final do discurso ao conselho de administração da Universidade Hebraica de Jerusalém, publicado pela sala de imprensa da Santa Sé.

O Papa explicou que numa época “frequentemente marcada pela violência e pela retórica agressiva”, os membros da comunidade da Universidade Hebraica de Jerusalém, “na sua diversidade”, podem continuar a ser «artesãos da verdadeira paz, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, que trabalha pela harmonia entre os povos», citando o discurso aos professores e estudantes da Universidade La Sapienza de Roma, a 14 de maio de 2026.

Leão XIV, que lembrou os Salmos, também citou Santo Agostinho de Hipona escreveu, num dos seus sermões: «Se quereis atrair os outros para a paz, primeiro tendes de ter paz vós próprios; mantende-vos firmes na paz. Para inflamar os outros, é preciso que a chama arda dentro de vós» (Serm. 357, 3).

Neste sentido, indicou que se deve procurar promover a paz nas comunidades “e acolhê-la e reconhecê-la nas próprias vidas”, em vez de acreditar que “é impossível e está fora do alcance”.

Aos membros do conselho de administração da Universidade Hebraica de Jerusalém, o Papa recordou que as universidades têm sido “tradicionalmente locais privilegiados para o diálogo”, enquanto espaços naturais de encontro, onde a procura do conhecimento “está intrinsecamente ligada à troca de ideias entre todos os membros da comunidade académica”.

“Num ambiente onde o diálogo respeitoso é possível, todos podem enriquecer os seus conhecimentos, aprendendo com os pontos de vista e os testemunhos vivos dos outros, mesmo daqueles com quem possam discordar. Nestes contextos, com paciência e perseverança, é possível trabalhar gradualmente no sentido de derrubar quaisquer barreiras de mal-entendidos e desconfiança que possam surgir”, desenvolveu.

Leão XIV sublinhou que as universidades têm sido “locais de encontro de longa data”, reunindo estudantes e docentes para “crescerem em sabedoria” através do estudo académico e da investigação, e através das amizades e das relações profissionais que se desenvolvem naturalmente.

“Embora nem sempre seja fácil, as universidades devem trabalhar constantemente para garantir que continuem a existir oportunidades para encontros significativos. Esta é uma parte essencial da vida de qualquer instituição de ensino superior, porque as nossas relações com os outros, as nossas línguas e as nossas culturas são de importância vital para quem somos enquanto seres humanos”, acrescentou.

O Papa começou o seu discurso, ao conselho de administração da Universidade Hebraica de Jerusalém, a desejar que a estadia na capital italiana “permita aprofundar o conhecimento tanto da Cidade do Vaticano como de Roma”, um lugar que “é fundamental para as origens e o crescimento da fé cristã”, mas que também tem promovido “o encontro entre culturas e povos há milénios”.

CB

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