Igreja/Sociedade: Valorização da dimensão espiritual potencia os recursos da inteligência artificial

Eugénia Abrantes alertou para a necessidade de desenvolver uma «pastoral mais ajustada às dinâmicas da IA»

Foto Samuel Mendonça/Diocese do Algarve, Eugénia Abrantes

Fátima, 16 jun 2026 (Ecclesia) – Eugénia Abrantes, psicóloga e teóloga, afirmou nas Jornadas Pastorais do Episcopado que é necessário desenvolver uma pastoral “mais ajustada às dinâmicas da inteligência artificial” (IA), apontando para a necessidade da formação e do desenvolvimento da espiritualidade dos crentes.

“Penso que um dado claro é que a inteligência artificial traz, de facto, grandes ferramentas e contributos para o desenvolvimento espiritual, mas também a própria espiritualidade serve como uma verdadeira batuta para o desenvolvimento da inteligência e para a análise crítica de todo o seu próprio desenvolvimento”, afirmou a diretora do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização (IEAC-GO).

Em declarações à comunicação social após a comunicação nas Jornadas Pastorais do Episcopado, em Fátima, Eugénia Abrantes lembrou que, caso não haja uma aposta na espiritualidade e na formação, o crente não sabe utilizar a “série de elementos importantes” fornecidos pela IA.

“A minha dimensão é de tal maneira pobre que não consigo, efetivamente, tirar as maiores potencialidades que também neste campo a inteligência artificial pode favorecer e dar-lhe para o desenvolvimento espiritual”, acrescentou.

A teóloga sublinhou a necessidade de apostar no desenvolvimento da espiritualidade, alertando a inexistência da espiritualidade, dos “meios necessários, as ferramentas, as estruturas capazes” de fazer a experiência de Deus, a pessoa passa a “ser um elemento desunificado e carente” sem a capacidade de estar à “altura dos desafios”, por exemplo, a IA.

“Eu não vou nem sequer ter critérios espirituais para poder fazer uma análise crítica e refletida sobre a informação que ela me fornece”, afirmou.

Eugénia Abrantes comparou a IA a uma pérola que está inserida numa concha, referindo que a espiritualidade permite identificar elementos que “não são eticamente válidos” e envolver esses elementos tóxicos e “transformá-los em elementos válidos para a humanidade”.

Eugénia Abrantes adiantou três propostas que permitem, pelo desenvolvimento da espiritualidade, integrar as potencialidades da IA, nomeadamente a necessidade de desenvolver o “processamento cognitivo”.

“Nós temos de começar a adquirir outras habilidades cognitivas e sociais para poder lidar com esta realidade, senão vamos perder terreno e não vamos saber lidar”, afirmou.

Para a diretora do IEAC-GO, é necessário “apostar na formação, na formação teológica, na formação bíblica, conseguir dinamizar uma pastoral muito mais ajustada às dinâmicas da IA”.

Eugénia Abrantes rejeitou também o funcionamento em casulos, em torno de cada movimento, carisma, diocese ou concregação.

“Temos que nos abrir muito mais, trabalhar muitíssimo mais em rede, potencializando muito mais os recursos que nós temos e, através desse mecanismo mais alargado, podemos ser mais coesos e mais eficazes na relação com a inteligência artificial”, concluiu.

PR

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