I Congresso Litúrgico Português: 100 anos depois, há preocupações que permanecem «atuais», defende padre Renato Oliveira

Data vai ser assinalada em Vila Real. Sacerdote da Diocese de Viana do Castelo aborda papel que Portugal teve na reforma litúrgica na Igreja Católica

Foto Agência ECCLESIA/MC, Padre Renato Oliveira

Lisboa, 16 jun 2026 (Ecclesia) – O diretor-adjunto do Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viana do Castelo, padre Renato Oliveira, defende que as inquietações manifestadas no I Congresso Litúrgico Português continuam a fazer sentido nos dias de hoje.

“Não foram publicadas as atas, mas há uma síntese das intervenções feitas no Congresso de 1926, há 100 anos, nós vemos que há ali já preocupações que eu diria que ainda hoje, passados 100 anos, são atuais”, afirmou o sacerdote, em entrevista ao programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2 (15h00).

O responsável lembra que, no encontro de há 100 anos, se pedia “uma dimensão mais comunitária da celebração dos sacramentos, salientando que hoje este aspeto continua a precisar de ser praticado, fazendo referência a um certo individualismo que grassa na sociedade.

O padre Renato Oliveira evocou também a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, elaborada durante o Concílio Vaticano II.

“Nós olhamos para a [constituição apostólica] Sacrosanctum Concilium e creio que vemos que há ali diversos aspetos da reforma litúrgica que precisam ainda de ser atuados, de ser aplicados, a carecer de atuação”, referiu.

O sacerdote frisou que é essencial “pôr em prática a reforma litúrgica”, ao mesmo tempo que alerta que se a história não for tida em conta, há o risco de “cair numa arbitrariedade e numa criatividade que são alheias a um discernimento sério, que não vão na linha daquilo que o Concílio Vaticano II preconizou”.

“Eu acho que é muito, muito importante olharmos para a História, não para rever a História, não para reescrever a História, mas para perceber o que se fez, porque se fez, e onde é que hoje devemos caminhar e nos devemos situar”, reforçou.

No dia 19 de junho, a Diocese de Vila Real promove, dia 19 de junho, uma celebração evocativa do centenário do I Congresso Litúrgico Português, realizado entre 17 e 19 do mesmo mês de 1926, naquela cidade.

O diretor-adjunto do Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viana do Castelo recorda que o encontro que celebra este ano o centenário marca o “início solene do movimento litúrgico em Portugal”.

“O congresso de Vila Real é convocado pelo bispo D. João Lima Vidal. Reúnem-se ali vários especialistas, que no fundo, de forma mais ou menos autónoma, andavam a beber um bocadinho do espírito do movimento litúrgico que saía do âmbito monástico noutras partes da Europa”, lembra.

O responsável dá conta que ali “começa a desenvolver-se uma reflexão”, “um esforço conjunto”, de onde sai “um instrumento importantíssimo, que é a revista Opus Dei”.

“A partir de Vila Real, depois, diria que há um dinamismo, há acontecimentos, há congressos, há iniciativas, há publicações, naturalmente umas fases com maior efervescência do que outras, como é natural, mas a partir dali começa a haver um movimento mais ou menos que se vai consolidando, tornando mais denso, mais significativo de renovação da liturgia no nosso contexto português”, explica.

Em entrevista, o padre Renato Oliveira destaca que o documento sobre a Sagrada Liturgia, publicado a 04 de dezembro de 1963, traz “muito significativas na vivência da liturgia”, nomeadamente no “desenvolvimento de uma visão mais harmónica” entre a teologia, a pastoral e a espiritualidade litúrgica.

“Nas décadas que precedem o Concilio Vaticano II, e concretizando, no caso português, nós vemos já no Congresso de Vila Real, em algumas intervenções que são feitas, algumas preocupações a que, em certo sentido, depois a Sacrosanctum Concilium vem também responder”, assinala.

OC/LJ

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